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22 de October, 2025

Na Beira: SERNIC apreende 2.5 toneladas de material eléctrico pronto para exportação

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O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em Sofala, apreendeu duas toneladas e meia de cabos eléctricos vandalizados em diversos pontos da cidade da Beira. O material, avaliado em cerca de 2.5 milhões de Meticais, estava pronto para ser exportado ilegalmente para fora do país.

Segundo o porta-voz do SERNIC, na província de Sofala, Alfeu Sitoe, os cabos, na sua maioria de cobre e alumínio, pertencem à Electricidade de Moçambique (EDM) e foram retirados de diversas infra-estruturas vandalizadas no segundo maior centro urbano do país. A operação culminou com a detenção de um jovem de 19 anos de idade, surpreendido em flagrante a pesar o material para os seus supostos empregadores, de nacionalidade chinesa.

Por sua vez, o jovem, funcionário de uma empresa de compra e venda de sucata, relatou que trabalhava há mais de um ano na firma e que a sua função era apenas pesar e registar os produtos que os clientes traziam. “Mandavam-me pesar o material e enviar os dados. Diziam que tinham documentos para justificar a proveniência”, explicou.

Segundo o indiciado, o material chegava já cortado e embalado em sacos para depois ser colocado em contentores para exportação, através do Porto da Beira. No entanto, admitiu ter desconfiado da origem do cobre, mas defendeu não ter poder de decisão. “Eu duvidava, mas eles diziam que era legal. Todos os dias chegava material eléctrico. Acho que era só uma fachada de sucata”, afirmou o jovem, acrescentando que o patrão chinês fugiu após a chegada das autoridades.

Segundo o porta-voz do SERNIC, a operação faz parte de diligências que têm sido efectuadas pela entidade com vista a combater a vandalização das infra-estruturas públicas. “O jovem foi apanhado em flagrante e estamos a seguir o rasto dos mandantes. Trata-se de um crime organizado, com ramificações internacionais”, assegurou Sitoe.

O SERNIC diz estar preocupado com o crescente envolvimento de cidadãos estrangeiros em actos criminais no país. “Muitos destes agentes vêm ao país com o pretexto de investir, mas acabam por envolver-se em esquemas ilícitos que destroem o que foi construído com muito esforço”, lamentou Sitoe.

Para a EDM, o impacto da vandalização é devastador. Gabriel José Titosse, daquela empresa pública, em Sofala, defendeu que a destruição de infra-estruturas eléctricas compromete o esforço nacional de electrificação. Só este ano, as vandalizações causaram prejuízos de 23 milhões de Meticais, em todo o país.

“Ainda há duas semanas, o SERNIC apresentou outro caso semelhante. Agora temos 2.5 toneladas de cabos, o que representa um prejuízo de cerca de 15 milhões de Meticais. Com este material, seria possível electrificar uma vila inteira”, afirmou Titosse, sublinhando que o vandalismo atinge sobretudo redes de média tensão e atrasa o desenvolvimento, pondo em risco o objectivo do Governo de alcançar acesso universal à energia até 2030.

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