O Presidente da Renamo, Ossufo Momade, diz que não aceita pressões vindas dos membros do partido porque sempre respeitou os estatutos da “perdiz”. A declaração foi feita no início da tarde desta quinta-feira, em Nampula, na abertura da II Sessão Ordinária do Conselho Nacional da Renamo, o órgão mais importante daquela formação política no intervalo entre os congressos.
Segundo Ossufo Momade, nos últimos tempos, membros e simpatizantes da Renamo têm assistido “alguns combatentes” e “supostos combatentes” a promoverem intrigas e linchamentos de carácter nos jornais, nas rádios, nas televisões e redes sociais, tornando-se em “opositores da nossa Resistência Nacional Moçambicana, determinados a destruir o nosso projecto colectivo”.
A reunião de um dia, que se realiza no maior círculo eleitoral do país, decorre num momento em que a “perdiz” enfrenta a sua pior crise, caracterizada por uma onda generalizada de contestação à liderança de Ossufo Momade, motivada, sobretudo, pelo mau desempenho eleitoral do partido, que saiu do segundo para o terceiro lugar (perdeu 32 lugares, dos 60 que ocupava na legislatura passada) na hierarquia política nacional, atrás da Frelimo e do PODEMOS.
Desde Janeiro passado que delegações distritais, provinciais e até a sede nacional têm sido, frequentemente, “assaltadas” por ex-guerrilheiros da Renamo, que exigem a demissão de Ossufo Momade. Momade é acusado de nepotismo, arrogância e inoperância. Em Maio, por exemplo, a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) invadiu a sede nacional da Renamo e o Gabinete de Ossufo Momade, na cidade de Maputo, para recuperar as duas instalações que estavam sob custódia dos ex-guerrilheiros.
No entanto, como líder, Momade diz que sempre respeitou os Estatutos da Renamo, tendo realizado os dois últimos congressos (2019 e 2024) em “tempo recorde” tal como as sessões do Conselho Nacional e da Comissão Política Nacional e as Conferências Nacionais das Ligas Feminina e da Juventude. Por isso, “não aceitamos pressões que põem em causa o normal funcionamento e a coesão interna”, defende, assegurando que “sempre nos abrimos ao diálogo interno e sempre estaremos abertos para o bem” da Renamo.
Aliás, o Presidente da Renamo aponta a sua contestação – marcada pelo encerramento das delegações distritais e provinciais, assim como da sede nacional do partido e do gabinete de trabalho do presidente – como algumas das razões que levaram a convocação tardia do Conselho Nacional, o primeiro desde a realização das eleições gerais a 09 de Outubro de 2024. Dificuldades financeiras e os protestos pós-eleitorais são outras razões que invocadas pelo político para não reunir os membros do partido por 12 meses.
Lembre-se que o Conselho Nacional da Renamo estava inicialmente agendada para os dias 07 e 08 de Março, mas foi adiada por “razões ponderosas”, segundo a Secretária-Geral do partido, Clementina Bomba. Aliás, no seu discurso, Momade revelou que a reunião contou com o patrocínio do Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), uma organização da sociedade civil que trabalha no fortalecimento de capacidades de actores políticos e na facilitação de diálogo político com e entre diferentes actores políticos.
Entretanto, no seu discurso, Ossufo Momade não se pronunciou em torno da contestação à sua liderança e muito menos avançou se tenciona ou não deixar o cargo, após dois pleitos eleitorais menos conseguidos pelo partido. Lembre-se que, para além de perder 32 assentos na Assembleia da República, a Renamo perdeu três municípios, nas eleições autárquicas de 2023, em relação às eleições autárquicas de 2018, onde ganhou sete municípios, dos quais cinco na província de Nampula.
“A presente Sessão Ordinária do Conselho Nacional é um momento privilegiado e soberano para debater a vida interna com franqueza, abertura, honestidade e fraternidade, por isso, nunca vamos concordar com àqueles que ao saírem daqui irão às televisões para denegrir os órgãos do partido”, atirou.
Refira-se que o Conselho Nacional da Renamo é composto por 120 membros, indicados pelo Presidente do partido, alguns com relações umbilicais com Ossufo Momade, como são os casos de Glória Ubisse (esposa), Osvaldo Ossufo Momade (filho) e Zena Momade (irmã de Ossufo Momade). (Carta)





