Uma nova modalidade de burla tem vindo a preocupar comerciantes e operadores de serviço de entregas em Maputo. Criminosos estão a usar mensagens falsas de confirmação de pagamento electrónico para se apoderarem de produtos em mercearias e “bottle stores”, sem que o valor das compras tenha sido realmente transferido.
O esquema consiste no envio de mensagens fraudulentas, supostamente provenientes de operadoras móveis (neste caso concreto foi com o Mpesa da Vodacom) que confirmam transferências inexistentes. De posse dessa “prova” de pagamento, os burladores contratam serviços de entrega, como os da plataforma Yango, para recolher e transportar as mercadorias.
O caso do “bottle store” enganado duas vezes
Segundo relatos recolhidos de um “delivery” da Yango, um comerciante, proprietário de um “bottle store” na cidade de Maputo terá sido vítima deste esquema em duas ocasiões.
“Recebi uma mensagem a confirmar a transferência, mas o dinheiro nunca caiu na conta”, contou o comerciante, acrescentando que os burladores enviaram um motorista da Yango para levantar as bebidas, mas quando se confirmou a conta da empresa, descobriu-se que o valor não refletiu.
Chegado ao local, o motorista, que alegou desconhecer a fraude, acabou detido temporariamente pelo Servico Nacional de Investigacao Criminal (SERNIC), sob suspeita de envolvimento com a quadrilha. Posteriormente, confirmou-se que também ele foi enganada, pois apenas respondia a um pedido legítimo de entrega cuja mensagem de transferência tambem lhe foi enviado.
Durante a investigação, descobriu-se que os burladores operavam a partir de uma cadeia, utilizando contactos externos e falsos comprovativos para efectuar as burlas em mercearias de renome e botle stores.
Outro caso semelhante
Uma outra fonte relatou a Carta de Moçambique um episódio semelhante, ocorrido há três semanas.
Segundo a denúncia, um comerciante recebeu um entregador da Yango, que apresentou uma mensagem de confirmação de pagamento no valor de 30 mil meticais.
Sem confirmar o saldo no momento, o proprietário entregou as mercadorias, mas, pouco depois, verificou que o valor não havia sido creditado na sua conta.
Determinados a recuperar o prejuízo, o comerciante e a polícia seguiram o rasto do motorista até ao local onde os produtos supostamente teriam sido entregues. No entanto, ao chegarem ao endereço, descobriram que se tratava de uma residência desabitada.
Para surpresa de todos, conseguiram localizar um homem que admitiu ter recebido a encomenda, revelando detalhes sobre o funcionamento do esquema.
“Disse que o plano era organizado a partir de uma cela, e que a sua função era apenas receber a mercadoria e entregá-la aos verdadeiros burladores, mediante o pagamento de uma taxa de serviço pelo sucesso da burla”, relatou a fonte ao ser interrogado pela polícia.
SERNIC confirma existência de casos
Em declarações à nossa redação, o porta-voz do SERNIC na cidade de Maputo, João Adriano, confirmou a existência de processos relacionados com este tipo de crime.
“De facto, tivemos registos de casos semelhantes, mas o último processo deu entrada em 2022”, afirmou.
Segundo Adriano, não há registo de novos casos em 2023 ou 2024, mas a instituição mantém-se atenta a denúncias que possam surgir.
“Qualquer cidadão lesado deve participar o caso às autoridades. Pode fazê-lo numa esquadra ou diretamente à direção do SERNIC”, explicou.
Operadora sob suspeita
O SERNIC afirma que as investigações anteriores foram conduzidas em coordenação com a operadora móvel responsável pelos serviços de pagamento, que já foi notificada sobre este tipo de ocorrência.
“É importante compreender como os burladores conseguem gerar mensagens falsas que imitam as notificações legítimas da operadora”, sublinhou o porta-voz.
Chamado à denúncia
As autoridades apelam aos comerciantes e motoristas de entrega para verificarem sempre a entrada efectiva dos valores nas contas bancárias ou de carteira móvel, antes de libertarem qualquer mercadoria.
Cidadãos que tenham recebido mensagens falsas de confirmação de pagamento são incentivados a reportar os casos ao SERNIC ou através das plataformas oficiais das operadoras.
Esclarecimento sobre mensagens fraudulentas envolvendo o M-Pesa
Em contacto com a Carta, a Vodafone M-Pesa disse que tomou conhecimento da circulação de mensagens falsas que simulam transferências de valores que, na realidade, não foram efectuadas, levando alguns clientes a acreditar que receberam pagamentos inexistentes.
Entratnto, o M-Pesa esclarece que todas as transações realizadas através da sua plataforma são seguras, autenticadas e devidamente registadas no sistema. As mensagens em circulação não têm origem no M-Pesa, configurando-se como tentativas externas de fraude.
A empresa apela à vigilância dos seus clientes, lembrando que é possível verificar o saldo em qualquer momento, de forma gratuita.
Neste caso, a operadora recomenda igualmente que nunca sejam partilhados códigos pessoais (PIN) e que qualquer suspeita de actividade fraudulenta seja reportada de imediato através da linha oficial de apoio ao cliente.





