O Chefe de Estado, Daniel Francisco Chapo, concluiu, na tarde deste sábado, a sua visita de trabalho à República Argelina Democrática e Popular, iniciada na noite da passada quarta-feira, com objectivo, por um lado, de estreitar as relações bilaterais entre os dois países e, por outro, participar da cerimónia de abertura da quarta edição da Feira do Comércio Intra-Africano, que decorre na Argélia desde quinta-feira e que termina na próxima quarta-feira.
No final da visita, Daniel Chapo disse sair da Argélia “bastante satisfeito” e com o dever de “missão cumprida”. “Saímos daqui com missão cumprida, bastante satisfeitos e estamos a levar Argélia no coração para o povo moçambicano e vamos continuar a trabalhar juntos para o progresso, tanto de Moçambique como da Argélia”, afirmou, sublinhando ainda ter saído satisfeito porque “visitamos locais históricos, compreendemos a história de mais de três mil anos da Argélia e achamos que isto é realmente muito importante”.
Neste seu último dia de trabalho na Argélia, o Presidente da República de Moçambique orientou uma reunião com empresários argelinos, visitou o Le Maqam Ech-Chahid (Praça dos Mártires da Argélia), a Grande Mesquita de Argel (a maior de África e uma das maiores do mundo) e manteve conversações oficiais com o Chefe de Estado argelino, Abdelmadjid Tebboune.
Do encontro entre os dois chefes de Estado e entre as delegações argelina e moçambicana, que durou pouco mais de duas horas, resultou a celebração de seis instrumentos jurídicos de cooperação: Memorando de Entendimento sobre o programa de intercâmbio cultural e artístico; Protocolo de cooperação entre a Rádio Moçambique e a Rádio da Argélia; Acordo de cooperação no domínio da comunicação; Acordo em ensino superior e investigação científica; Acordo de cooperação no domínio da segurança e ordem pública; e o Memorando de Entendimento sobre consultas políticas.
No final das conversações, os dois chefes de Estado não prestaram declarações à imprensa. Já no seu briefing sem direito a perguntas (devido ao atraso do voo de regresso), Chapo não explicou os objetivos de cada instrumento jurídico celebrado. Aliás, também não foi possível apurar quando será materializado o apoio de 30 milhões de USD, anunciado pela Argélia, em Março de 2023, para a construção de um pavilhão desportivo multiuso e de uma nova praça dos heróis. Igualmente, não se sabe quando será reactivada a Comissão Mista de Defesa e Segurança das duas nações, cujas reuniões não se realizam há 22 anos.
No seu discurso de quase nove minutos, o Chefe de Estado disse que as duas delegações celebraram “instrumentos jurídicos bastante importantes para reforçar a cooperação entre Moçambique e Argélia”, destacando o reforço da cooperação económica. “Achamos que era importante trazer áreas concretas que temos que trabalhar juntos com Argélia, uma delas está relacionada com hidrocarbonetos. Já temos um memorando de entendimento assinado entre a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos com a Sonatrach”, disse.
“Também temos um memorando de entendimento assinado entre a nossa empresa EDM e a empresa ligada à energia da Argélia. Daí que achamos que era importante reforçarmos esta relação económica nesta área. Também trabalhamos para ver se reforçamos a relação económica na área farmacêutica e de produção de medicamentos, a Argélia é um país que consegue satisfazer cerca de 80% das suas necessidades e é o único país do continente que está a este nível”, acrescentou o Chefe de Estado.
Prosseguindo, o Presidente da República disse que os dois países estão a trabalhar noutras áreas, como agricultura, turismo, infra-estruturas (principalmente para o desenvolvimento dos corredores logísticos), assim como em áreas ligadas à industrialização, principalmente para a criação de emprego para a nossa juventude. “Sabemos que o povo argelino gosta bastante da castanha, do café e da banana, daí achamos que é importante falarmos destes produtos. Se conseguirmos produzir em quantidades industriais, um dos mercados será a Argélia”, defendeu.
Daniel Chapo voltou a agradecer o povo e o presidente argelino pela recepção, reafirmando que os dois países são irmãos desde o período dos movimentos de libertação nacional, com a formação e treinamento militar do primeiro grupo de combatentes moçambicanos. Por isso, “achamos que era muito importante participarmos desta conferência sobre a zona do comércio livre continental e achamos que a conferência decorreu em perfeitas condições”.
Lembre-se que Daniel Chapo chegou à Argélia na noite da última quarta-feira para uma visita de três dias a este país do norte de África, tendo participado da cerimónia de abertura da quarta edição da Feira do Comércio Intra-Africano, onde defendeu o “desbloqueio” de fronteiras entre os países africanos e o investimento em infra-estruturas como forma de tornar real o sonho de se ter uma zona de comércio livre, em África, um acordo assinado em 2018 (e que junta 54 países africanos), cuja implementação ainda se revela um desafio.





