O partido Aliança para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) anunciou, ontem, a criação de uma Fundação, baptizada com o nome do advogado Elvino Dias, assassinado na noite do dia 18 de Outubro, em Maputo, por indivíduos até hoje desconhecidos e à monte.
O anúncio foi feito na noite desta terça-feira pelo porta-voz do ANAMOLA, Dinis Tivane, no final da I Sessão Extraordinária da Comissão Executiva do partido, que teve lugar na Cidade de Maputo. Na ocasião, Tivane anunciou também a criação da Associação ANAMOLA. As duas instituições serão formalizadas, em Setembro, no decurso do Conselho Nacional.
“Prestamos homenagem àquele que disse que vamos continuar a lutar até ao fim. Deu a sua vida, sacrificou a sua família e morreu por nós. Então, vamos homenagear Elvino Dias em nome das mais de 500 pessoas que tombaram pelo movimento ANAMOLA, por criação de um Estado verdadeiramente de Direito Democrático”, afirmou Dinis Tivane.
Lembre-se que Elvino Dias era mandatário de Venâncio Mondlane, quando foi crivado de balas na noite do dia 18 de Outubro, junto com o mandatário do PODEMOS, Paulo Guambe, formação política que suportou a candidatura presidencial de Venâncio Mondlane.
O advogado, que liderou a batalha judicial do ex-candidato presidencial, pela realização do VII Congresso da Renamo, foi morto dias antes do anúncio dos resultados finais das eleições gerais de 2024, numa altura em que preparava provas da suposta fraude eleitoral que levou Daniel Chapo e a Frelimo ao poder.
Apesar do movimento internacional de condenação ao macabro homicídio e de pedidos de esclarecimento do caso, até hoje, o país ainda não conhece os resultados das investigações prometidas pelas autoridades judiciais. Dez meses depois do duplo homicídio, o mundo ainda não conhece os autores materiais e morais do crime, tal como dos assassinos de Gilles Cistac e outros opositores do regime.
Refira-se que o advogado Elvino Bernardo António Dias já foi alvo de diversas homenagens póstumas. Em Maio, foi anunciado vencedor do Prémio Nelson Mandela (de 10.000 Euros), atribuído pela associação portuguesa ProPública – Direito e Cidadania. Já em Julho último, foi vencedor do prémio Guardian of Justice Award, promovido pelo Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD). (Carta)





