O Chefe de Estado moçambicano, Daniel Francisco Chapo, defende que “a integração digital e logística” é essencial para tornar a Zona de Comércio Livre Continental Africana, criada em 2018 e em vigor desde 2021, “uma realidade palpável” para o continente.
A tese foi defendida esta quarta-feira, em Maputo, durante a abertura da Assembleia-Geral dos Accionistas do Africa50, uma organização pan-africana criada em 2013 com objectivo de acelerar o desenvolvimento e o investimento em infra-estruturas, em África. O órgão é liderado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
A Zona de Comércio Livre Africana, refira-se, é um acordo continental, envolvendo 54 países (47 já ratificaram), que visa criar um mercado único para bens e serviços no continente, promovendo a livre circulação de pessoas e investimentos, com objetivo de impulsionar o comércio intra-africano, reduzir barreiras comerciais e aumentar a competitividade do continente no mercado global. No entanto, a sua implementação continua um desafio.
Segundo o Presidente da República, com o Africa50, o país está a desenvolver transações inovadoras, focadas em energia; digitalização; integração regional; e transporte e logística, com postos fronteiriços de paragem única. “Cada uma destas iniciativas promove emprego, diversificação económica e desenvolvimento sustentável de Moçambique e da SADC”, afirmou.
Chapo defende que desde a sua adesão ao Africa50, em 2024, Moçambique tornou-se parte de uma visão partilhada, centrada na construção de uma África interligada, competitiva e “capaz de transformar os seus recursos em prosperidade para os seus povos”. Considera ainda os desafios enfrentados pelos países da região, nos sectores de energia, transporte, digitalização e logística são “uma grande oportunidade para investimentos” para o país.
“A nossa visão é de construir um Moçambique industrializado, competitivo e inclusivo, onde o sector privado gera parcerias e, sobretudo, o parceiro essencial na geração de riqueza, emprego e inovação”, acrescenta, sublinhando que os corredores de desenvolvimento, os portos de águas profundas e os gasodutos “dão acesso vital a países sem litoral”, tornando Moçambique num hublogístico regional. Enfatizou que a industrialização africana só será possível com energia fiável e acessível.
“Apostamos fortemente nos corredores de Maputo, Beira e Nacala”, acrescenta, revelando que estar em projecção um novo corredor (o de Inhambane) para ligar Moçambique e África do Sul. Defende também que os recursos energéticos (gás, hidroelétricas e centrais solares) posicionam o país “como fornecedor de segurança energética para a região da SADC” e que os investimos em infra-estrutura digital (redes de fibra óptica) “impulsionam a economia tecnológica e conectam milhões de cidadãos e empresas”.
Para o Presidente da República, o Africa50 é mais do que uma instituição financeira. “É uma plataforma de soluções africanas para os desafios africanos. (…) Simboliza esta nova África que confia em si própria, coopera entre irmãos e transforma potencial em prosperidade para o povo”. (Carta)





