Os funcionários e agentes do Estado afectos ao Hospital Provincial de Pemba (HPP), a maior unidade sanitária na província de Cabo Delgado, ameaçam boicotar o atendimento público nos próximos dias, caso o governo não resolva as suas reivindicações.
A ameaça vem de enfermeiros, agentes de serviço, técnicos de laboratório e de enfermagem, que alegam não estar a receber subsídios de horas extras e de turnos e, em alguns casos, salários atrasados referentes ao período de 2020 a 2024.
Como se não bastasse o boicote ao atendimento público, o Hospital Provincial enfrenta queixas relacionadas à falta de medicamentos e de alimentação para os doentes, um alerta lançado na última sexta-feira pelos funcionários que, durante cerca de três horas, abandonaram os seus postos de trabalho e marcharam até à Direcção Provincial de Saúde, onde foram exigir respeito pelos seus direitos.
Empunhando dísticos com frases como “Já estamos cansados, queremos os nossos salários”, os funcionários denunciaram também a preval_ência de tratamento desigual no seio da instituição, mencionando como exemplo a exclusão no apoio alimentar em caso de funeral.
Na ocasião, uma funcionária, agente de serviço, queixou-se que no mês de Março perdeu a mãe, mas não recebeu qualquer apoio da instituição. Logo a seguir, perdeu uma irmã e de novo não teve nenhum apoio, enquanto outros colegas são tratados com a máxima consideração em situações idênticas.
Os funcionários e agentes do Estado do HPP alegam que certos funcionários, incluindo membros da direcção e médicos, são os principais beneficiários dos direitos laborais, enquanto a maioria é sujeita a deveres em detrimento dos seus direitos. Entretanto, utentes do Hospital Provincial de Pemba receiam que o atendimento público poderá piorar nos próximos dias, face ao actual contexto de revolta. (Carta)





