Cinco processos de tráfico interno de pessoas para fins de exploração sexual e laboral nas províncias de Maputo, Niassa, Tete e Sofala foram registados no primeiro semestre de 2025. Em conexão com o caso, quatro processos já foram alvo de despachos de acusação, enquanto um permanece em fase de instrução. No que diz respeito ao tráfico com ligações internacionais, foram identificados dois processos-crime em curso no Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional (GCCCOT).
A informação foi partilhada esta segunda-feira (28), pela Procuradora Geral-Adjunta, Amabélia Tchuquela, durante a abertura do Fórum Académico sobre o Tráfico de Pessoas. De acordo com o Relatório Global sobre o Tráfico de Pessoas 2024, publicado pelo Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), as mulheres e raparigas continuam a ser a maioria das vítimas detectadas globalmente, representando 61% do total em 2022. A maior parte é traficada para fins de exploração sexual, mantendo-se esta tendência há vários anos.
O relatório também aponta para o crescimento alarmante do número de crianças entre as vítimas: um aumento de um terço em apenas três anos. Em diversas regiões do mundo, as crianças representam já a maioria dos casos identificados de tráfico.
A dinâmica do tráfico humano está igualmente a transformar-se, tornando-se um fenómeno mais global e transnacional, com um número crescente de países de destino identificados. Estima-se que um terço dos fluxos transfronteiriços envolva cidadãos africanos, uma realidade agravada pelas múltiplas crises que afectam o continente, aumentando a vulnerabilidade das populações.
Segundo António Vivo, chefe do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime Organizado, o principal desafio em África está relacionado com o tráfico de crianças, [meninos e meninas] vítimas de trabalho forçado, incluindo trabalho doméstico, exploração sexual e mendicidade forçada.
Com mais de 40 milhões de deslocados africanos contabilizados até ao fim de 2023 e cerca de um milhão apenas na região norte de Moçambique, devido à violência extrema, estas comunidades enfrentam condições que as tornam alvos fáceis para redes de tráfico humano. (Carta)





