Moradores de Matlemele, no Município da Matola, província de Maputo, voltaram a sair à rua para se opor ao projecto de construção de um Aterro Sanitário, alegando que o município está a ignorar as possíveis consequências decorrentes da construção de um aterro naquele local.
Através de apitos e buzinadelas, os residentes manifestaram a sua insatisfação depois de ter visto o regresso das máquinas ao local. Na manhã deste domingo (13), decidiram aproximar-se de forma pacífica para perceber as razões da movimentação do equipamento sem consulta pública.
“O município deve realizar uma auscultação pública antes de prosseguir com a construção deste aterro. Exigimos que venham conversar com a população, porque não percebemos de onde veio a ordem para que as obras retomassem. De repente, começámos a ouvir as máquinas a trabalhar e não tivemos qualquer explicação. Neste local há casas a três metros e temos uma escola nas proximidades”, afirmou um dos representantes da comunidade.
“Para nós, a construção deste aterro sanitário aqui não tem qualquer benefício e poderá trazer graves problemas. O município quer aliviar a lixeira de Hulene, mas futuramente poderá causar-nos problemas ainda mais sérios do que os que ocorreram em Hulene, onde várias famílias perderam as suas casas e algumas pessoas perderam a vida”, destacou.
No local, os moradores garantem que já há sinais claros de que as obras estão a avançar com a colocação de uma placa informativa da empreitada, indicando que os trabalhos arrancaram no mês passado.
Importa referir que o projecto de construção do aterro sanitário de Matlemele, no município da Matola, é liderado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável e pelo Município da Matola, que garante que, nos próximos dias, se reunirá com os residentes para uma conversa em busca de possíveis soluções.
Entretanto, os moradores garantem que não vão permitir a continuação das obras. “Pensávamos que este assunto da construção deste aterro já estivesse encerrado, uma vez que, em 2024, após um processo longo e moroso junto das autoridades competentes, os moradores conseguiram, por despacho da Assembleia da República, que fosse lançado, pelo Conselho Municipal, um concurso para a construção do aterro noutro local, ainda por identificar, mas longe de qualquer aglomerado populacional”, afirmou um outro porta-voz da comunidade.
Refira-se que, em Dezembro do ano passado, a Comissão de Petições, Queixas e Reclamações da Assembleia da República informou aos moradores de Matlemele que o Conselho Municipal da Matola garantira que o caso do Aterro Sanitário estava encerrado e que estava em busca de um novo local para construção do Aterro “que não tenha aglomerado populacional”. (Carta)





