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18 de June, 2025

“Queremos resgatar aquela casa que todos temem” – Daniel Chapo ao novo DG do SISE

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“Queremos resgatar o prestígio do SISE [Serviço de Informações e Segurança do Estado], que volte a ser aquela casa que todos respeitam, temem, cuja robustez de segurança é inquestionável e a integridade inegociável. A nossa independência, a nossa integridade territorial, a nossa soberania não têm preço e não se negoceiam”.

Foi com estas palavras que o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, recebeu o novo Director-Geral do SISE, José Condugua António Pacheco, empossado na tarde desta quarta-feira para liderar os serviços secretos moçambicanos. Pacheco foi nomeado ontem, em substituição de Bernardo Lidimba, que perdeu a vida em acidente de viação, ocorrido no dia 02 de Novembro de 2024, em circunstâncias até aqui não esclarecidas pelo Governo.

“Queremos que, a partir de hoje, o SISE seja uma instituição totalmente transfigurada, mais dinâmica, mais funcional, mais ágil e mais assertiva, sobretudo na antecipação, com enorme capacidade de antecipação dos fenómenos que podem perigar a nossa harmonia social e convivência sã e pacífica entre os moçambicanos, na sua missão de garantir, sobretudo, a segurança do Estado moçambicano”, defendeu.

Por isso, Daniel Chapo quer que os operativos do SISE “estejam mergulhados nos locais mais difíceis de penetrar para buscar informações cruciais” para a segurança do país, “que custou muito sangue: 10 anos de luta para alcançarmos a independência a 25 de Junho de 1975”.

No entender do Presidente da República, só assim é que o SISE saberá, com antecedência, “o que é que os inimigos do povo pensam e o que estão a planificar” contra o país. “Não iremos tolerar que o Estado seja surpreendido com ataques e desestabilização militar ou económica promovidos pelos inimigos da nossa independência e da nossa pátria. O SISE deve posicionar-se, sempre, a frente do seu tempo”, disse Chapo, alertando que “no mundo do crime vale mais prevenir do que remediar”.

No seu discurso de quase 20 minutos, Chapo disse que Pacheco foi “escolhido a dedo” para o cargo por tratar-se “de um cidadão experimentado nas lides de governação desde o nível local, distrital, provincial e central, incluindo nas Forças de Defesa e Segurança”.

“O Curriculum Vitae do empossado, acrescido das valências que acumulou ao longo da sua brilhante carreira profissional, associado aos resultados alcançados nas várias missões incumbidas, transmite-nos a esperança de que o SISE estará à altura de cumprir, sobretudo com o seu desiderato, com excelência, a sua missão nesta era bastante desafiante para a segurança do Estado”, defendeu.

Segundo o Chefe de Estado, este é o momento certo para se acabar com o sentimento de impunidade e desmantelar “toda a teia de práticas nocivas”, que prejudicam o desempenho do SISE. “O trabalho do SISE não se pode confundir e nem se deve basear em especulações, em fofocas, em intrigas e queima de carácter de pessoas de bem”, defendeu.

Num breve diagnóstico feito ao país, Chapo afirmou que Moçambique enfrenta diversos desafios, que ultrapassam a dimensão militar. “Temos o terrorismo em alguns distritos da província de Cabo Delgado; o financiamento a organizações antidemocráticas; a subversão; a manipulação da população; a compra de mentes para criar o caos e a desordem social; os auto-intitulados Naparamas; os ataques cibernéticos; o tráfico de drogas e de pessoas; e outros crimes transnacionais que abalam a soberania do nosso Estado, incluindo crimes como raptos e branqueamento de capitais”, detalhou.

Igualmente, apontou o crime organizado como uma das maiores preocupações dos Estados por pôr em causa a paz social, com a infiltração dos seus agentes em instituições-chave do Estado. “Temos infiltrados em sectores como o da emissão de Certidão de Nascimento, de Bilhete de Identidade, de Passaportes, que são documentos de identificação nacional que só pessoas de nacionalidade moçambicana originária ou adquirida podiam ter, resultando daí uma falsificação subsequente de todos os documentos a ele associados, como o NUIT e a Carta de Condução, facto que facilita as acções dos criminosos”. (Carta)

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