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13 de August, 2025

A História d’A História da Independência para os mais novos Capítulo 6: A Liberdade que Não Chegou Toda

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Naquela tarde, o céu parecia cinzento, mesmo sem nuvens. O vento era morno, mas sem frescura. Maria Tondhosa esperava por eles sentada de frente para a porta, com um pano vermelho nos ombros e um colar de contas azuis que tilintavam levemente sempre que ela se movia.

— Hoje — disse, antes que qualquer criança abrisse a boca — hoje não vamos falar só do passado. Vamos falar do que restou dele.

Ela fechou os olhos, mas Mpoyombo não falou logo. Deixou o silêncio entrar primeiro.

— Há uma liberdade que se ganha. E há outra que se trai sem perceber.

Samira encolheu os ombros.

— Mas não somos livres agora?

— Somos. Temos bandeira, temos hino, temos eleições. Mas ainda nos falta o mais difícil: a liberdade entre nós. A liberdade de discordar sem medo. De dizer o que se pensa sem ser calado. De perder sem pegar em armas.

Judite mordiscava o lábio inferior.

— O que nos impede?

— O passado mal resolvido. As feridas que nunca foram limpas. Os gestos que nunca foram assumidos. E a ideia de que só quem fez a revolução tem direito a mandar como se o país fosse herança.

Celso desviou o olhar.

— Mas os que fizeram a revolução… não merecem respeito?

— Merecem, sim. Mas respeito não é silêncio. É poder perguntar: “E agora?” É poder dizer: “Obrigado… mas há coisas que correram mal.” Porque um herói que não se escuta… torna-se dono. E um país com donos… deixa de ser pátria.

— Então porque ninguém fala disso? — perguntou Judite.

— Porque temos medo do que podemos descobrir. Porque, durante anos, aprendemos que só havia uma verdade — e ela vinha de cima. E agora… mesmo livres, ainda falamos com censura dentro do peito.

Samira escreveu, sem levantar os olhos:

Temos medo da liberdade que pedimos.

— E por isso — continuou Mpoyombo — a nossa política tornou-se violenta. Porque ninguém tem autoridade moral para dizer: “Basta.” Porque todos temos dívidas com o silêncio. E quando a história é tabu, a verdade vira grito… ou bala.

Celso, mais sério do que nunca, murmurou:

— É por isso que há quem ache que só uma guerra nova pode mudar o país?

— Sim. Porque não acreditamos mais que palavras bastam. Porque confundimos justiça com vingança. E porque crescemos a ouvir que só os fortes têm razão.

Judite perguntou, num fio de voz:

— E como se sai disso?

— Falando. Escutando. Pedindo desculpa. Não com discursos… mas com gestos. A história não precisa de ser limpa. Precisa de ser assumida. Só assim os nossos heróis poderão descansar. E os nossos filhos poderão sonhar com um país onde todos caibam.

— Mesmo os que pensam diferente? — perguntou Samira.

— Sobretudo esses. Porque liberdade não é um lugar onde todos dizem o mesmo.
É um lugar onde as diferenças não matam.

O espírito calou-se.

Maria Tondhosa abriu os olhos. Estavam húmidos, mas serenos.

— A liberdade chegou. Mas não chegou toda. Cabe-vos a vós… buscar o que ficou por vir.

Os três jovens saíram em silêncio. A história não acabava ali. Mas ali ela tinha deixado uma semente.

 

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