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22 de July, 2025

A História d’A História da Independência para os mais novos

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Capítulo 2: A Queda do Último Grito

Quando a vela se reacendeu sozinha, como se o próprio espírito soprasse de volta a luz, os três jovens entreolharam-se, inquietos. Mpoyombo voltou a falar:

— Houve um tempo em que o sul tremia ao som dos tambores do Império de Gaza. Não era apenas medo. Era também ordem. Era lei, era aliança, era domínio.

Celso esticou o pescoço, curioso.

— Mas o meu avô dizia que Gungunhana era um rei justo.

— Justo com quem? — devolveu o espírito, sem pressa. — Com os seus? Com os que obedeciam? Com os que resistiam?

Judite interveio, rápida:

— Ele combatia os portugueses, não combatia?

— No início, sim. Mas fez pactos também. Recebeu embaixadas. Vestiu roupas vindas da Europa. Mandou construir palácios com janelas de vidro. Quis modernizar-se, mas sem perder o controlo.

— Então era esperto — comentou Samira.

— Era esperto… e orgulhoso. Mas o mundo estava a mudar depressa demais. Quando os portugueses decidiram acabar com o império, ele já não tinha para onde fugir.

— Mas ele foi preso, não foi? — insistiu Celso.

— Foi traído. Em Chaimite. Levaram-no num comboio, depois num navio. Morreria longe da sua terra, de olhos postos num mar que nunca o devolveu.

Samira anotava no seu caderno:

Chaimite. Gungunhana. Levaram o rei e ficaram com a terra.

— Ficaram com a terra e apagaram os nomes. Fundaram cidades novas com nomes seus. Dividiram as terras com régua e esquadro, como se o mundo fosse um papel. E passaram a chamar a tudo isso… Moçambique.

Judite, sempre desconfiada, estreitou os olhos:

— Mas isso quer dizer que Moçambique é uma invenção dos colonos?

O espírito não respondeu logo. A sala parecia esperar com ele.

— Moçambique foi uma resposta africana a uma pergunta colonial. Um nome estrangeiro, sim, mas que se tornou nosso pela dor, pela recusa, pela adaptação.

— E antes? — perguntou Samira. — O que havia antes?

— Havia povos. Havia terras. Havia reinos. Mas não havia Moçambique. A unidade viria depois. Como uma memória que ainda estava por acontecer.

A vela vacilou.

— A história não começa num ponto. Ela começa onde nos dispomos a escutar.

E com isso, Maria Tondhosa inclinou a cabeça. O espírito adormecera.

 

 

 

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