Os ataques terroristas que se reportam no distrito de Nangade, província de Cabo Delgado, desde princípios deste ano, já provocaram cerca de 24.000 deslocados. A informação foi avançada esta quarta-feira pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), em comunicado de imprensa.
De acordo com o ACNUR, outras 5.000 pessoas buscaram proteção no distrito de Mueda, sendo que centenas de famílias ainda estão em movimento, devido ao recrudescimento dos ataques terroristas em Nangade, um dos distritos que compõe o famoso “planalto dos macondes”.
O ACNUR revela que, neste momento, o distrito de Mueda acolhe 134.515 deslocados, sendo um dos distritos da província de Cabo Delgado que mais recebe cidadãos deslocados dos distritos mais afectados pelos ataques terroristas.
“O número de pessoas que chega a Mueda continua a aumentar, à medida que a ameaça de violência permanece”, sublinha a fonte, alertando para o facto de a maioria dos centros de acolhimento encontrar-se superlotada.
“Estas pessoas precisam de assistência humanitária urgente e de serviços de protecção”, diz a organização, sublinhando que, para além da fome e falta de abrigo, os deslocados carregam consigo traumas das atrocidades cometidas pelos insurgentes, que incluem assassinatos, decapitações e desmembramento de corpos, violência sexual, sequestros, recrutamentos forçados e torturas.
Refira-se que, apesar da presença das tropas da SADC, os terroristas têm criado pânico e causado luto naquele distrito da zona norte da província de Cabo Delgado, facto que leva a população a abandonar, diariamente, aquele ponto do país. Nangade, frise-se, está cada dia a tornar-se uma vila fantasma. (Carta)





