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14 de October, 2026

SERNIC celebra primeiro ano sem raptos, mas também sem mandantes identificados

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Sem estatísticas de casos de tentativas de rapto abortados e nem o número de prováveis raptores detidos e muito menos mandantes identificados e/ou detidos durante os últimos 12 meses, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) “celebrou”, esta terça-feira, a passagem do primeiro ano sem raptos no país, após 15 anos de tormento de empresários, agravado por um sentimento generalizado de impunidade.

Em conferência de imprensa concedida ontem, o Director-Geral do SERNIC, Ilídio Miguel, fala de “um marco relevante” nos esforços desenvolvidos “para prevenir e combater este fenómeno criminal” que, ao longo de 15 anos, “constituiu motivo de enorme preocupação”.

Segundo Ilídio Miguel, este resultado foi impulsionado pela “reestruturação do SERNIC”, com destaque para mudança da sua superintendência, que passou do Ministro do Interior para o Procurador-Geral da República; a provisão de recursos humanos e materiais, o que lhe conferiu “mais autonomia na actuação e investigação da criminalidade organizada”.

Para além destes factores, Miguel destaca a actuação coordenada com as Forças de Defesa e Segurança, em particular a Polícia da República de Moçambique, “cuja actuação conjunta tem sido fundamental no âmbito da prevenção dos raptos”, e a colaboração dos cidadãos e dos órgãos de comunicação social, que têm partilhado informações de elevado interesse operativo “com as quais conseguimos desmantelar algumas redes e raptores”.

“Sem a colaboração bastante profícua dos cidadãos, reconhecemos que não lograríamos este resultado”, defendeu a fonte, que diz estar consciente de que “é apenas uma etapa” e que a guerra contra os raptos não está vencida. “A passagem de um ano sem casos de raptos não pode ser entendida como motivo para o relaxamento nas medidas de segurança porque ainda subsistem algumas tentativas de rapto sobre as quais estamos atentos e inviabilizado a sua ocorrência”, defendeu.

Questionado sobre o que falhou para que não fosse possível combater o crime de raptos durante os últimos 15 anos, Ilídio Miguel respondeu: “no nosso comunicado, não pretendemos dizer que algo tenha falhado, mas precisava de algum aprimoramento das medidas de combate aos raptos”.

Na sua interacção com os jornalistas, o Director-Geral do SERNIC não assumiu haver agentes do SERNIC envolvidos no crime dos raptos e muito menos aceitou que a redução dos casos de raptos esteja relacionada com o assassinato de agentes do SERNIC e da Polícia, verificado no ano passado.

Disse apenas reconhecer ainda haver desafios internos, como a purificação de fileiras e que, nos últimos 12 meses, houve membros do SERNIC expulsos e detidos em conexão com este tipo de crime, porém, sem avançar números por alegadamente não possuir estatísticas.

“É estratégia de actuação do crime organizado, procurar coptar os agentes de instituições críticas, procurar infiltrar-se nas instituições críticas e, muitas vezes, aqueles que são coptados, passado um determinado momento, podem representar um empecilho para o crime organizado”, defendeu o dirigente, dando a entender que os agentes assassinados foram vítimas do próprio crime organizado.

Respondendo às perguntas dos jornalistas, o Director-Geral do SERNIC assegurou ainda que, durante os últimos 12 meses, a instituição deteve grupos de raptores que tentavam fazer novas vítimas, mas, mais uma vez, não dispunha de números para partilhar com a imprensa. Garantiu igualmente ter “pistas” de mandantes dos crimes de raptos, mas sem avançar detalhes.

Na sua declaração, Ilídio Miguel reafirmou a determinação da sua instituição em prosseguir com o trabalho operativo visando identificar, localizar e responsabilizar todos os envolvidos neste tipo de crime, incluindo indivíduos que se encontram foragidos da justiça.

Refira-se que o marco da passagem dos 12 meses sem o registo de raptos, em Moçambique, foi invocado pelo Presidente da República, na última quinta-feira, durante a abertura da primeira Conferência Internacional de Investimentos de Tete, que teve lugar na respectiva capital provincial

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