O Banco de Moçambique vai continuar a cortar a familiaridade excessiva na massa laboral da instituição, um problema denunciado e combatido pelo anterior Governador do Banco Central, Rogério Zandamela. A garantia é dada pelo novo Governador, Felisberto Navalha.
“O Governador Zandamela foi muito claro no passado, que encontrou essa situação, mas foram tomadas medidas que continuam em vigor. Por exemplo, a proibição de admissão de qualquer membro da família, de grau um ou dois, de todos os gestores do banco, e continua a ser assim. É uma boa medida e não vale a pena alterar o que está bom”, disse Navalha.
Embora seja uma boa medida, o novo homem forte do Banco Central disse que, se houver espaço para melhorias, o seu elenco não irá hesitar em tomar as medidas necessárias. “Havendo necessidade de melhorar, vamos melhorar, mas como está, já está muito bom” garantiu Navalha, recentemente, respondendo perguntas de jornalistas, depois de anunciar medidas de política monetária.
O nepotismo no Banco de Moçambique, um assunto com “barba branca”, foi denunciado a 16 de Dezembro de 2019, em Maputo, pelo antigo Governador, Rogério Zandamela, num evento balanço daquele ano económico e perspectivas para 2020. Naquele dia, Zandamela disse que no Banco de Moçambique há muita “familiaridade”. Perante o fenómeno, o então Governador avisou: “Quem quiser que o seu familiar entre no Banco Central, que cesse funções antes para deixar espaço ao seu parente”.
Discursando perante administradores, directores e funcionários da instituição, Zandamela explicou, na ocasião, que a introdução de normas que impedem a entrada no Banco Central de familiares directos, até ao quinto grau, de gestores a partir do nível de director, é uma medida que se enquadra nas reformas internas e que visa tornar a instituição mais transparente e inclusiva.
Nesse contexto, Zandamela disse que o Banco Central ia continuar a privilegiar a abertura de concursos internos para o provimento de vagas para cargos de gestão e manter a promoção de concursos externos transparentes para o preenchimento de vagas para técnicos. Naquele mesmo dia, o antigo Governador do Banco de Moçambique anunciou que nepotismo já estava a ser combatido, para que qualquer moçambicano possa, por mérito, ser funcionário da instituição.





