O Presidente da República, Daniel Chapo, procedeu, esta segunda-feira (12), ao lançamento das obras da dragagem e alargamento do canal de acesso ao Porto de Maputo. Para tal, a Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), concessionária da infra-estrutura, vai investir 150 milhões de dólares norte-americanos.
Com o fim das obras em Outubro de 2027, o canal passará a ter profundidades máximas na ordem dos 15,3 metros e uma largura nas zonas rectas de cerca de 210 metros, contra os actuais 110 para, e nas zonas curvas de cerca 295 metros, contra os actuais 150 metros. O Porto de Maputo passará, ainda, a receber navios de cerca de 366 metros de comprimento, com capacidade de até 14.000 contentores de 20 pés e calados próximos dos 15 metros.
Para o Presidente da República, ao tornarmos mais profundo o canal de acesso ao Porto de Maputo, o Governo está a criar condições para movimentar mais comércio, atrair mais investimento, produzir e exportar mais, servir melhor a região e transformar a posição geoestratégica de Moçambique numa verdadeira força económica da região da SADC.
“Estamos a aprofundar o canal para construir uma das infra-estruturas basilares que sustentam a nossa ambição de transformar Moçambique numa economia mais produtiva, numa economia industrializada, diversificada e competitiva. Estamos a preparar este Porto não apenas para responder às necessidades de hoje, mas para competir no sistema logístico regional e internacional das próximas décadas”, disse Chapo.
Os 150 milhões de dólares norte-americanos integram um programa de investimentos no Porto de Maputo superior a dois mil milhões de dólares. Entretanto, o Chefe de Estado disse que não se pode investir milhões de dólares para reduzir horas no mar e depois perder tais ganhos, em procedimentos administrativos desnecessários, depois de as mercadorias terem chegado ao porto.
“Por isso, o nosso investimento em infra-estruturas deve caminhar lado-a-lado com a simplificação de procedimentos de todas as instituições – públicas e privadas, incluindo ao longo da estrada no processo logístico, ao longo da fronteira – a digitalização, a interoperabilidade dos sistemas e uma melhor coordenação entre todas as instituições (públicas e privadas) que intervêm nos corredores é extremamente importante”, apelou Chapo.
Dragagem vai sincronizar-se a outros investimentos
O Director Executivo da MPDC, Osório Lucas, explicou que o aprofundamento e o alargamento do canal permitirão sincronizar a capacidade marítima com os investimentos que estão a ser realizados nos terminais, particularmente na expansão dos terminais de contentores (para 650.000 contentores de 20 pés por ano), de carvão (para 12 milhões de toneladas) e de minérios a granel (para 20.6 milhões de toneladas por ano).
Segundo Lucas, com o investimento, a oportunidade não está apenas em receber um navio de maior dimensão. “Está na possibilidade de transportar mais carga por escala, de criar maior regularidade nos serviços, de oferecer mais previsibilidade aos clientes e de sustentar novas soluções logísticas. Está também em criar espaço para novos fornecedores e permitir que mais empresas moçambicanas participem na actividade gerada em torno do Porto”, disse o gestor.
A dragagem será feita pela empresa estatal chinesa, Corporação de Estradas e Pontes da China (CRBC, sigla em Inglês), a mesma que construiu as pontes Maputo-KaTembe e sobre o Rio Incomati, no distrito de Marracuene, assim como as Estradas Circular de Maputo, KaTembe-Ponta do Ouro e Boane-Bela Vista.
Em representação da CRBC, Xiao Weiwen, disse estar grato pela adjudicação e garantiu “mobilizar equipamentos de última geração e a aplicar competências especializadas no domínio das obras marítimas e da dragagem, assegurando a qualidade através de uma gestão rigorosa e garantindo a segurança mediante a implementação de sistemas de controlo exigentes e eficazes”.
Ao longo de aproximadamente 12 meses, a CRBC vai remover cerca de 21,7 milhões de metros cúbicos de material, numa extensão de aproximadamente 74 quilómetros, com recurso a sete embarcações especializadas, incluindo dragas de sucção e de corte, barcaças de transporte e uma embarcação de apoio.
Trata-se de uma empreitada de elevada complexidade técnica, que integra diversas operações, nomeadamente o alargamento e aprofundamento do canal, a remoção de obstáculos, a proteção de cabos submarinos de fibra óptica e o ajustamento dos sistemas de auxílio à navegação.
Ao longo dos próximos 12 meses, está previsto o envolvimento de estudantes da Universidade Eduardo Mondlane, nas áreas ligadas à Oceanografia, bem como de estudantes da Escola Superior de Ciências Náuticas, nas áreas de Máquinas e Pilotagem. A obra deverá igualmente proporcionar aprendizagem prática e partilha de experiência com profissionais da estatal Empresa Moçambicana de Dragagem (EMODRAGA) e outros técnicos moçambicanos.





