Cerca de 17.783 pessoas foram atendidas nas unidades sanitárias de todo território nacional, no primeiro semestre deste ano, por problemas relacionados com o consumo de substâncias psicoactivas, das quais 5.469 por casos associados ao álcool, segundo dados do Ministério da Saúde.
A situação preocupa particularmente as autoridades devido ao impacto do consumo abusivo de drogas e outras substâncias psicoactivas no desempenho escolar e profissional dos jovens, sobretudo na faixa etária dos 21 aos 35 anos, que regista os níveis mais elevados de consumo.
Segundo a representante do Ministério da Saúde, Salma Madan, os serviços de saúde registaram maior procura por parte do sexo masculino, em comparação com o feminino. No mesmo período, verificou-se um aumento das consultas externas e uma redução dos internamentos, em relação ao primeiro semestre de 2025.
“No que diz respeito ao tipo de tratamento prestado a estes pacientes, houve uma maior procura destes serviços por parte do sexo masculino em comparação com o sexo feminino e houve uma subida de consultas externas em comparação com o primeiro semestre de 2025 e uma redução em relação aos internamentos”, explicou.
Além da dependência, o uso contínuo de substâncias psicoactivas pode provocar alterações no funcionamento do cérebro e dificuldades na interrupção do consumo, alertou a especialista. Segundo Salma Madan, o consumo prolongado pode comprometer a atenção, a capacidade de aprendizagem e a memória, afectando directamente o desempenho académico e profissional dos jovens. “Substâncias como os opioides, os sedativos e os estimulantes podem levar à dependência química e isso resulta em alterações significativas no funcionamento do cérebro”, explicou.
Como consequência, podem surgir dificuldades na manutenção do emprego, baixo rendimento académico e casos de abandono escolar. No domínio da saúde física, o consumo excessivo de determinadas substâncias pode provocar problemas cardiovasculares, alterações neurológicas e outras doenças graves.
A especialista alertou ainda para o risco de overdose associado ao uso de opioides, sedativos e múltiplas substâncias. “O uso de opioides, sedativos e múltiplas substâncias aumenta significativamente o risco de overdose, que pode ser fatal”, afirmou.
As consequências também se fazem sentir no seio familiar e comunitário, onde o consumo abusivo pode contribuir para conflitos familiares, abandono de responsabilidades, separações e dificuldades de reintegração social dos usuários.
Face a esta realidade, as autoridades de saúde têm desenvolvido acções de acompanhamento e reintegração. No primeiro semestre deste ano, foram realizadas 2.207 visitas domiciliares e cerca de 2.349 pessoas foram reintegradas, enquanto 7.419 consultas de seguimento foram efectuadas. Paralelamente, a representante do Ministério da Saúde defendeu a continuidade das acções de prevenção, tratamento e reinserção social, envolvendo diferentes sectores da sociedade.





