O Presidente da República, Daniel Chapo, defende a necessidade de transformar as excelentes relações político-diplomáticas entre Moçambique e Botsuana em relações económicas e comerciais mais fortes, capazes de gerar investimentos, produção e emprego nos dois países.
“As nossas relações político-diplomáticas são excelentes, agora precisamos de reforçar relações económicas e comerciais. É esta a realidade que queremos mudar nesta visita de Estado”, afirmou Chapo, falando esta segunda-feira, em Gaborone, no Fórum de Negócios Moçambique-Botsuana.
O Chefe do Estado observou que, apesar da proximidade entre os dois países, o nível das trocas comerciais permanece reduzido, indicando que, entre 2021 e 2025, Moçambique exportou para Botsuana bens avaliados em cerca de 79 milhões de USD e importou aproximadamente 13 milhões de USD.
Segundo Chapo, em 2025, o mercado tsuana representou apenas 0,1% das exportações moçambicanas, situação que considera distante do potencial económico dos dois países. “Estes números estão muito aquém do potencial das nossas economias, tanto do Botsuana como do Moçambique e da qualidade das nossas relações político-diplomáticas”, disse.
Perante este cenário, Chapo propôs uma nova dinâmica de cooperação, assente no comércio, investimento, produção, industrialização e criação de emprego, apontando quatro áreas consideradas estratégicas: logística e transportes; agricultura, pecuária e agro-processamento; turismo; e industrialização.
Na área agrícola, destacou a possibilidade de combinação das terras e recursos hídricos de Moçambique com a experiência do Botsuana no sector pecuário, através de investimentos conjuntos. “Queremos produzir, processar, transportar e comercializar juntos na SADC e no mundo, acrescendo valor nos nossos países e construindo cadeias agroindustriais capazes de gerar segurança alimentar para os nossos povos, exportações e emprego para a nossa juventude e mulheres sobretudo”, afirmou.
No turismo, o Presidente propôs a criação de circuitos integrados que associem a oferta de safari do Botsuana aos destinos turísticos moçambicanos, incluindo Bazaruto, Ponta do Ouro e Quirimbas. Para a industrialização, defendeu uma mudança do actual modelo baseado na exportação de matérias-primas e importação de produtos transformados, aproveitando o potencial energético e os recursos disponíveis no país.
Chapo garantiu que o Governo está a trabalhar na reforma do quadro legal, incluindo nas áreas de conteúdo local, minas e petróleo, para criar condições mais favoráveis à realização de investimentos. “O capital procura mercados, mas procura também previsibilidade, segurança, eficiência e confiança”, sublinhou.
No domínio da logística, reiterou o convite às empresas do Botsuana para utilizarem as infra-estruturas moçambicanas, incluindo os portos de Maputo, Beira e Nacala e os respectivos corredores de desenvolvimento, como plataformas para o comércio regional.
Ao terminar, Chapo apelou aos empresários dos dois países a não aguardarem por melhores condições no futuro, mas a transformarem desde já a proximidade geográfica em oportunidades económicas. “Por isso, não esperem pelo futuro, construam-no connosco, transformemos a nossa geografia em economia, a nossa amizade em negócios e os nossos negócios em prosperidade partilhada”, concluiu





