O Presidente da República, Daniel Chapo, aproveitou esta quinta-feira, 25 de Setembro, as celebrações do 62.º aniversário do início da Luta Armada de Libertação Nacional e do Dia das Forças Armadas, na cidade de Inhambane, para colocar uma questão que vai além da efeméride: que Forças Armadas deverá Moçambique ter nas próximas décadas?
Perante os comandos militares, membros das Forças de Defesa e Segurança e veteranos da luta de libertação, Chapo apresentou as linhas gerais do que considera dever ser a transformação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), defendendo uma instituição profissional, disciplinada, tecnologicamente preparada e capaz de acompanhar a mudança na natureza dos conflitos.
“O mundo está a mudar e a natureza dos conflitos também. O exército que não acompanhar estas transformações ficará para trás”, afirmou.
A advertência serviu de ponto de partida para uma orientação aos comandos: preservar a experiência acumulada pelas gerações anteriores, sem preparar as forças do futuro com os métodos de combate do passado. “No passado somente devemos buscar inspiração e experiências”, disse Chapo, acrescentando que as FADM “de hoje e de amanhã” não podem ser preparadas apenas com “os métodos de combate de ontem”.
A ideia de modernização apresentada pelo Presidente não assenta apenas na aquisição de meios militares. “Quando falamos de modernização das FADM, não estamos a referir-nos apenas a comprar equipamentos. Modernização é muito mais do que isso”, afirmou.
Chapo resumiu depois as áreas em que considera necessária essa transformação: “Formar melhor; pensar melhor; equipar melhor; boa logística; comandar melhor; comunicar melhor; informar melhor; planificar bem; ter boa doutrina e combater melhor.”
O Presidente usou uma aeronave como exemplo. Comprar o aparelho, explicou, não significa automaticamente aumentar a capacidade militar. São necessários pilotos habilitados, manutenção técnica, doutrina e sistemas de comando e controlo capazes de transformar o equipamento em capacidade operacional.
“Uma Força moderna não é aquela que possui apenas equipamentos. É aquela que consegue transformar esse equipamento em capacidade operacional. Em vantagem no campo de batalha”, afirmou.
A economia entra na doutrina de defesa
Chapo acrescentou outra dimensão à transformação que pretende para as FADM: a economia. Na visão apresentada em Inhambane, a função das Forças Armadas não termina na defesa das fronteiras e da integridade territorial.
“O militar moderno deve saber que, quando protege uma infra-estrutura estratégica, está a proteger empregos. Quando protege um corredor logístico, está a proteger o comércio. Quando protege uma zona económica, está a proteger investimento. E quando protege uma comunidade, está a proteger campos agrícolas e a produção”, declarou.
A segurança passa, nesta leitura, a integrar a estratégia de desenvolvimento económico. Para Chapo, as Forças Armadas desempenham um papel no que o Governo designa por criação dos alicerces da independência económica, por considerar que segurança, investimento, circulação de mercadorias e actividade produtiva estão ligados.
A transformação deverá também abranger a estrutura de comando. “Um exército moderno, para além de ter bons soldados, deve ter bons comandantes”, afirmou o Presidente, acrescentando que também precisa de “bons dirigentes da área”.
Chapo dirigiu esta parte da intervenção ao ministro da Defesa Nacional e ao chefe do Estado-Maior General, defendendo que a modernização não seja feita através de medidas isoladas, mas concebida como “um sistema integrado de defesa nacional”.
A intervenção deixou uma orientação que ultrapassa a renovação do equipamento militar: formar pessoal, desenvolver doutrina, melhorar logística, informação e comando e adaptar as FADM a conflitos em que tecnologia, economia e segurança estão cada vez mais ligadas.





