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23 de September, 2026

Chapo encontra no Brasil uma Petrobras que volta a olhar para África

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Daniel Chapo chegou ao Brasil à procura de investidores para uma carteira de projectos energéticos avaliada pelo Governo em cerca de 50 mil milhões de dólares e encontrou uma Petrobras que voltou a procurar reservas fora do seu país. Os dois movimentos cruzaram-se esta semana no Rio de Janeiro, onde a petrolífera brasileira e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) assinaram um memorando que lhes dá dois anos para estudar oportunidades no sector de petróleo e gás em Moçambique.

Não há ainda dinheiro, blocos ou projectos associados ao documento. Há uma companhia que está a recompor a sua presença internacional, com África entre os principais destinos, e um país que tenta converter algumas das maiores descobertas de gás das últimas décadas em investimento, indústria e emprego.

O memorando foi assinado na terça-feira, 22 de Setembro, por Sylvia Anjos, directora de Exploração e Produção da Petrobras, e Jonilton Pessoa, gerente executivo de Exploração. Do lado moçambicano assinaram Rudêncio Morais, presidente do Conselho de Administração da ENH, e a administradora Alegria Cossa.

O texto prevê cooperação em “estudos, avaliação, desenvolvimento e comercialização”, além da troca de conhecimentos e experiência técnica. Não menciona a Bacia do Rovuma, não identifica qualquer das concessões actualmente em pesquisa e não estabelece um valor de investimento.

Chapo passou pelo Rio de Janeiro a defender precisamente algumas das actividades em que a Petrobras acumulou experiência durante décadas. Falou de exploração em águas profundas, sistemas submarinos, engenharia de grandes projectos, fabricação, logística offshore e manutenção. Pediu também joint ventures, consórcios e associações entre empresas brasileiras e moçambicanas.

A Petrobras chega a esta conversa depois de vários movimentos em África. Em Fevereiro adquiriu 42,5% do Bloco 2613, ao largo da Namíbia, numa parceria com a TotalEnergies. Em Julho concluiu a aquisição de 75% do Bloco 3 de São Tomé e Príncipe e assumiu a operação. No mês seguinte iniciou negociações para quatro blocos offshore da Bacia de Keta, no Gana.

Cinco dias antes da assinatura com a ENH, a companhia assinou contratos de partilha de produção para oito blocos exploratórios offshore na Costa do Marfim.

Moçambique é, por enquanto, diferente. A Petrobras não comprou uma participação, não recebeu uma concessão e não anunciou a perfuração de qualquer poço. O memorando permite-lhe estudar o mercado ao lado da empresa pública que participa comercialmente nas operações petrolíferas do Estado.

E esse mercado está a mudar. A exploração começa a avançar para além das grandes descobertas do Rovuma. Ao largo de Inhambane, a CNOOC opera as áreas S6-A e S6-B, nas quais a ENH possui, respectivamente, 30% e 22,5%. Em Angoche, a estatal moçambicana participa também nas áreas A6-D e A6-E.

No Rovuma, os números são de outra escala. A 15 de Setembro, o Governo aprovou a estrutura de financiamento do Coral Norte FLNG, que permite mobilizar até 7,2 mil milhões de dólares para uma unidade com capacidade prevista de 3,55 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano.

Nenhum destes projectos foi relacionado com a Petrobras.

O que a empresa brasileira procura em Moçambique permanece, por isso, em aberto. Pode ser uma área de exploração, uma participação futura num activo ou uma oportunidade noutra parte da cadeia do petróleo e gás. O memorando permite todas essas hipóteses e não confirma nenhuma.

Para Chapo, a assinatura deixa um resultado da agenda económica levada ao Brasil: a ENH passa a ter um canal formal com uma empresa que está a comprar e negociar activos em vários países africanos. Para a Petrobras, acrescenta à sua lista um país onde a exploração de gás movimenta investimentos de milhares de milhões de dólares e onde ainda existem novas áreas à procura de capital e tecnologia. Os dois lados deram-se dois anos para saber até onde esse encontro pode chegar.

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