– PR moçambicano tornou-se hoje primeiro estadista africano a discursar como orador principal no Fórum Global de Petróleo e Gás
Moçambique quer atrair empresas brasileiras para áreas ligadas aos grandes projectos de gás. Presidente defende parcerias com empresas nacionais e aponta Petrobras como possível parceiro estratégico.
O Presidente da República, Daniel Chapo, aproveitou a abertura da ROG.e 2026, no Rio de Janeiro, para lançar um convite directo às empresas brasileiras: investir na nova fase da indústria de petróleo e gás em Moçambique, através de parcerias que incluam empresas, fornecedores e quadros nacionais.
Chapo identificou a experiência do Brasil em águas profundas, sistemas submarinos, engenharia, fabricação, logística offshore e manutenção como competências que podem responder às necessidades dos projectos moçambicanos.
“Queremos empresas brasileiras em Moçambique, mas queremos também empresas moçambicanas a crescer com empresas brasileiras. Não procuramos apenas fornecedores. Procuramos parceiros”, afirmou.
A mensagem foi apresentada perante investidores e dirigentes da indústria energética reunidos na ROG.e, antigo Rio Oil & Gas. Chapo participou como keynote speaker da cerimónia de abertura, tornando-se o primeiro estadista africano a ocupar esse lugar em mais de 40 anos de realização do evento.
A passagem pelo Rio serviu também para apresentar projectos em curso, novas áreas de pesquisa e mudanças regulatórias com que o Governo pretende captar investimento.
Petrobras entra no radar
Chapo destacou o memorando de entendimento entre a Petrobras e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e disse esperar que o acordo abra caminho para uma presença “cada vez mais substantiva” da petrolífera brasileira em Moçambique.
O Presidente defendeu joint ventures, consórcios e outras associações capazes de juntar capital e tecnologia estrangeiros a empresas moçambicanas. A proposta inclui formação de quadros, transferência de tecnologia e desenvolvimento de fornecedores nacionais.
“Gostaríamos que, no futuro, a relação energética entre Moçambique e Brasil fosse medida não apenas pelo volume do investimento, mas também pelo número de empresas brasileiras e moçambicanas que cresceram juntas”, afirmou.
Há mais para pesquisar além do Rovuma
O convite aos investidores surge quando Moçambique prepara uma nova fase de pesquisa de hidrocarbonetos.
Chapo apontou oportunidades para além das grandes descobertas da Bacia do Rovuma. Referiu a Bacia de Moçambique, onde se encontram Pande, Temane, Inhassoro e Búzi, além de Angoche, Delta do Zambeze e Save.
Está em preparação uma nova oferta de áreas para pesquisa e exploração, acompanhada de investimento em dados geológicos e geofísicos para reduzir a incerteza dos investidores.
“Acompanhem de perto a nova fronteira exploratória de Moçambique”, disse Chapo.
O Presidente apresentou também a nova Lei do Petróleo como argumento para captar investimento, destacando previsibilidade jurídica, estabilidade fiscal, respeito pelos direitos adquiridos e mecanismos de resolução de diferendos.
*Um mercado de 50 mil milhões de dólares*
Moçambique tem quatro grandes projectos a definir a dimensão da indústria: Coral Sul FLNG, já em produção; Coral Norte; Mozambique LNG; e Rovuma LNG. No conjunto, representam, segundo os números apresentados no Rio, investimentos de cerca de 50 mil milhões de dólares.
O Governo vê em torno desses projectos oportunidades de negócio em engenharia, construção, equipamentos, logística, manutenção e prestação de serviços.
Chapo quer que empresas moçambicanas entrem nessa cadeia. A estratégia está ligada à legislação de conteúdo local e à decisão de reservar uma quota mínima de 25% do petróleo e gás para o mercado interno e para a industrialização.
A aposta brasileira insere-se, assim, numa ambição mais ampla: fazer com que o crescimento da indústria do gás deixe no país mais do que receitas fiscais e exportações. No Rio, Chapo resumiu a mensagem aos empresários brasileiros: “Não procuramos apenas fornecedores. Procuramos parceiros.”





