Director: Marcelo Mosse

Maputo -

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16 de September, 2026

Entre a execução e a percepção: como a edilidade comunica Maputo

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Sou munícipe do Distrito Urbano nº 4 e, no acompanhamento do quotidiano da cidade, tenho notado uma mudança que merece ser registada: a forma como a edilidade tem procurado comunicar directamente com os munícipes sobre aquilo que está a fazer.

Num município confrontado com problemas tão complexos como inundações, saneamento, gestão de resíduos, congestionamento, conflitos de terra e crescimento urbano desordenado, a comunicação pode parecer uma questão secundária. Não é. Quando uma cidade está em obras, por exemplo, o cidadão quer saber não apenas que uma avenida está condicionada, mas porquê, o que está a ser feito e quando poderá esperar melhorias.

É precisamente neste ponto que tenho observado uma comunicação municipal mais presente. A edilidade tem procurado mostrar as obras em curso, acompanhar a sua execução e levar ao espaço público informações que permitam ao munícipe perceber o que está a acontecer na sua cidade. A comunicação das obras de drenagem da Baixa, incluindo a indicação do nível de execução, é um exemplo dessa preocupação em mostrar o processo e não apenas o resultado final.

A mesma lógica parece estar presente na chamada política do “ouvido aberto”, através da qual o presidente do município procura aproximar-se dos distritos e ouvir directamente problemas colocados pelas comunidades. Para quem vive na cidade, esta aproximação tem um significado diferente daquele que teria apenas num comunicado institucional: permite acompanhar a governação a partir dos problemas concretos dos bairros e dos distritos.

Não significa que comunicar seja o mesmo que resolver. Maputo continua a enfrentar desafios profundos e muitos deles exigirão anos de investimento, manutenção e continuidade das políticas públicas. Mas existe uma diferença importante entre uma administração que simplesmente executa e uma administração que procura explicar ao cidadão o que está a executar, ouvir as suas preocupações e tornar visível o processo de governação.

É neste aspecto que considero que a experiência actual merece ser observada. Como munícipe do Distrito Urbano nº 4, tenho notado que a edilidade está mais presente no espaço comunicacional e que há uma tentativa de aproximar a informação municipal do cidadão.

Essa estratégia torna-se ainda mais importante quando as intervenções produzem efeitos contraditórios no curto prazo. Uma obra de drenagem pode significar menos inundações no futuro, mas mais congestionamento hoje. Uma intervenção num bairro pode resolver um problema, mas também gerar conflitos ou expectativas. Uma decisão sobre ocupação de terra pode satisfazer uns munícipes e desagradar a outros.

Nessas circunstâncias, explicar, ouvir e prestar informação passa a ser parte da própria governação. É talvez essa a dimensão que merece ser reconhecida na actual comunicação da edilidade: não como substituto da execução, mas como uma tentativa de construir uma relação mais directa entre o município, as suas decisões e os cidadãos que vivem diariamente com os problemas — e também com as transformações — da cidade de Maputo.

É também por isso que este reconhecimento não deve ser entendido como um cheque em branco. Enquanto munícipe, se hoje há razões para registar positivamente esta forma de comunicação, amanhã, se ela deixar de existir, se tornar insuficiente ou se afastar dos problemas concretos da cidade, estaremos igualmente aqui para o dizer. O papel do munícipe não é apenas aplaudir quando a edilidade comunica bem, mas também questionar quando deixa de comunicar, quando não explica ou quando as respostas ficam aquém das expectativas. A proximidade, afinal, deve ser uma prática permanente e não apenas uma estratégia de comunicação.

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