Director: Marcelo Mosse

Maputo -

Actualizado de Segunda a Sexta

12 de December, 2024

Eleições 2024: PODEMOS defende devolução do processo à CNE por falta de observação no Conselho Constitucional

Escrito por

“Até aqui não tenho segurança de que há de haver uma verdade eleitoral, ainda não tenho essa segurança, mas vamos ver”. Este é o posicionamento manifestado ontem pelo Presidente do PODEMOS (Povo Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique) à saída de “um café” com a Presidente do Conselho Constitucional.

 

Em declarações aos jornalistas, Albino Forquilha reiterou que o processo de verificação das actas e editais submetidos ao Conselho Constitucional pelos partidos políticos e pela CNE (Comissão Nacional de Eleições) devia contar com a presença dos mandatários dos partidos políticos e de observadores nacionais e jornalistas, como forma de garantir a transparência no processo.

 

“Para busca da verdade eleitoral, era importante que houvesse outros intervenientes, como o caso dos partidos políticos, observadores nacionais e jornalistas. Isto ia nos garantir que houve tantos olhos que verificaram aquilo será validado amanhã pelo Conselho Constitucional”, disse a fonte, depois de uma hora de debate jurídico com a Presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro.

 

Lembre-se que o pedido já havia sido colocado na mesa pelo Presidente do PODEMOS – partido que apoia a candidatura presidencial de Venâncio Mondlane – durante a reunião, tendo sido negado por Lúcia Ribeiro, alegando que o Conselho Constitucional é um órgão jurisdicional e não político.

 

“O processo político termina na Comissão Nacional de Eleições, onde há observadores – e até a própria composição da Comissão Nacional de Eleições é política. O Conselho Constitucional é um Tribunal Eleitoral e, nos Tribunais, os órgãos são jurisdicionalizados e não com interesses particulares ou partidários. Não cabe a observação eleitoral num órgão jurisdicional”, defendeu Ribeiro.

 

Para Albino Forquilha, na impossibilidade de os partidos políticos observarem a verificação da autenticidade das actas e editais submetidos ao Conselho Constitucional, o processo devia ser devolvido à CNE, onde a lei abre o espaço para a observação eleitoral.

 

“Ela tentou fundamentar que a Lei não lhe permite, mas tinha capacidade para devolver este processo à Comissão Nacional de Eleições porque será difícil aferir que houve uma verdade eleitoral, se for apenas o Conselho Constitucional a pronunciar os resultados que ele trabalhou sozinho”, afirma.

 

Prosseguindo, Forquilha disse que saiu do encontro “com a impressão de que [os processos] não estão sendo devidamente tratados” pelos juízes do Tribunal Supremo Eleitoral. “Os processos não foram julgados, tudo remete-se para a fase de validação dos resultados. Nós gostávamos que houvesse resposta a este processo, para que pudéssemos acompanhar até que ponto o Conselho Constitucional responde”, sublinha.

 

Refira-se que esta foi a primeira vez em que o Conselho Constitucional reuniu-se com um partido político, estando em curso o processo de validação dos resultados eleitorais. Na sua introdução, Lúcia Ribeiro disse que este é um dos vários encontros que aquele órgão vai manter com os partidos políticos que submeteram recursos de contencioso eleitoral, de modo a explicar em que processo estão os trabalhos. Hoje, o encontro será com a liderança da Renamo. (Carta)

Visited 12 times, 1 visit(s) today

Sir Motors