O Presidente da República, Daniel Chapo, exigiu, na última segunda-feira (10), em Cabo Delgado, maior responsabilidade dos dirigentes locais na execução das acções previstas no Programa MozCommunity, advertindo para a necessidade de evitar atrasos, desperdício de recursos e obras de má qualidade.
“Não devemos permitir atrasos na execução dos projectos e exigimos muita seriedade e, sobretudo, honestidade e integridade para evitar a má qualidade das obras que vão ser levadas a cabo”, disse Chapo, durante o lançamento do MozCommunity, financiado pelo Banco Mundial em 250 milhões de dólares norte-americanos e destinado às províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa no norte do país.
Durante a sua intervenção, Chapo considerou que a implementação do programa constitui uma oportunidade para reforçar a governação de proximidade e a participação das comunidades na definição das prioridades de desenvolvimento, particularmente ao nível dos distritos. “Portanto, com este programa e outros que estamos a desenhar com o Banco Mundial, a planificação distrital está de volta, porque é no distrito onde está o povo, é no distrito onde devem ir os recursos financeiros”, afirmou o estadista.
Segundo Chapo, do orçamento total do Programa, 100 milhões de dólares serão aplicados nos primeiros dois anos e os restantes cerca de 150 milhões nos seis anos seguintes. Os recursos serão destinados a três áreas principais: reforço da colaboração entre o Estado e as comunidades, promoção de oportunidades económicas e emprego, sobretudo para jovens e mulheres, e construção e reabilitação de infra-estruturas resilientes às mudanças climáticas.
Entre as intervenções previstas estão transferências monetárias para famílias vulneráveis, formação profissional de jovens, financiamento de iniciativas económicas lideradas por mulheres e jovens, bem como apoio psicossocial e prevenção da violência baseada no género. O programa prevê igualmente investimentos em escolas, centros de saúde, sistemas de abastecimento de água, mercados, edifícios administrativos e vias de acesso.
O MozCommunity será desenvolvido pela Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), abrangendo os 56 distritos das três províncias. A iniciativa surge num contexto em que o Governo procura reforçar a estabilidade e a resiliência das comunidades do Norte, particularmente afectadas pelo terrorismo e pela ocorrência de desastres naturais.
No lançamento da iniciativa, o Presidente enquadrou o MozCommunity na estratégia de construção da independência económica do país, defendendo comunidades mais fortes, instituições mais próximas e uma economia mais dinâmica e inclusiva. “Hoje, estamos a lançar uma visão e a colocar mais um pilar no edifício da nossa independência económica”, afirmou Chapo.
O lançamento do MozCommunity surge na sequência dos entendimentos e contactos estabelecidos durante a visita de trabalho que o Presidente da República efectuou, em Junho deste ano, a Washington D.C., onde participou, como único Chefe de Estado convidado, na sessão inaugural do Fórum sobre Fragilidades 2026, promovido pelo Grupo Banco Mundial.





