A Decisão Final de Investimento (DFI) do Projecto Rovuma LNG será tomada em Setembro deste ano, confirmou a Exxon Mobil, empresa norte-americana que lidera o Projecto em instalação na Área 4 da bacia do Rovuma, norte de Moçambique. O anúncio foi feito, em primeira mão, em Março passado, pelo Presidente da República, Daniel Chapo, em visita à Bélgica.
“Mantemos o compromisso de tomar a Decisão Final de Investimento durante o segundo semestre deste ano. O Presidente Chapo disse que será em Setembro, então, se ele disse Setembro, tem que ser Setembro. Vamos fazer. Agora é uma ordem”, disse, semana finda, o Director-Geral da Exxon Mobil Moçambique, Arne Gibbs, durante a 12ª Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique.
“Para tornar isso realidade, estamos a trabalhar de forma colaborativa com o Governo de Moçambique em cada etapa. E também estamos a finalizar todo o trabalho de marketing dos mercados, financiamento e comercial”, acrescentou.
Esta segunda-feira (11), o Gestor retirou que a Exxon Mobil e parceiros da Área 4 continuam “a avançar com o objectivo comum de alcançar a Decisão Final de Investimento na segunda metade de 2026, reafirmando a confiança no projecto Rovuma LNG”.
Gibbs falava após o lançamento da primeira pedra para a construção do Centro Tecnológico de Moçambique (CTM), financiado pelo Rovuma LNG, em parceria com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
O gestor explicou que a confiança no Rovuma LNG resulta do facto de Moçambique ter o potencial de desempenhar um papel fundamental nos mercados globais de energia e de fornecer gás a projetos no país e em toda a região. Entretanto, para transformar esse potencial em realidade, Gibbs disse que é necessária uma forte parceria com o Governo.
“Um dos pilares dessa parceria é a nossa responsabilidade de investir de forma planeada e garantir que este Centro, assim como o projecto Rovuma LNG no seu conjunto, se traduza em oportunidades reais para os moçambicanos, em particular para os jovens que um dia irão ocupar as instalações aqui existentes e cujas vozes virão a preencher este espaço onde hoje nos encontramos”, acrescentou a fonte.
O evento foi orientado pelo Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale. O governante explicou que o objectivo do Centro é preparar a mão-de-obra local para responder a correntes e futuros requisitos dos grandes projectos de petróleo e gás, especialmente os da Área 4 da bacia do Rovuma.
“Esta iniciativa nasce de uma orientação clara do Governo de Moçambique: transformar os recursos naturais do país em oportunidades concretas para os moçambicanos, através da formação, do emprego qualificado e da participação efectiva na cadeia de valor dos hidrocarbonetos”, frisou Pale.
Os parceiros do projecto Rovuma LNG, nomeadamente a ENH, ExxonMobil, Eni, CNPC, XRG e KOGAS estão a investir 40 milhões de dólares norte-americanos para desenvolver o CTM com certificação internacional em Moçambique. A construção do CTM foi adjudicada à empresa 7 Mares, reforçando ainda mais o desenvolvimento do conteúdo nacional e assegurando que os benefícios do projecto se estendam diretamente à economia doméstica.
Uma vez em operação, o Centro terá capacidade para formar até 250 formandos por dia e será dedicado integralmente ao Projeto Rovuma LNG. A infra-estrutura será também disponibilizada ao público em geral, ampliando o acesso à formação técnica de alta qualidade em todo o país.
O CTM foi concebido para elevar competências em sectores-chave, incluindo energia, construção e infra-estruturas, contribuindo para a redução da dependência de mão-de-obra expatriada. O campus moderno contará com salas de aula, oficinas, alojamento para estudantes e refeitório.
Um dos principais destaques da unidade será o Simulador de Planta de Processamento em Tempo Real (Live Process Plant Simulator), que permitirá aos formandos praticar competências operacionais num ambiente realista e seguro. Após a sua conclusão, o Centro será operado por uma joint venture da ENH, em colaboração com um operador de formação especializado no sector. O currículo está a ser desenvolvido de forma a alinhar-se com as atuais e futuras necessidades da indústria, oferecendo formações nas áreas eléctrica, mecânica, instrumentação e operações.

