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24 de March, 2026

Cheias em Xai-Xai: interrompida a circulação na via de Wenela

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A cidade de Xai-Xai volta a enfrentar uma nova vaga de inundações, provocada pela subida do caudal do rio Limpopo, situação que já está a causar impactos significativos na mobilidade e no quotidiano da população.

A via de Wenela, mais conhecida por “pavê”, encontra-se neste momento intransitável. Trata-se de uma estrada alternativa à Estrada Nacional Número Um (N1), fundamental para a ligação entre a zona alta e a zona baixa da cidade.

Segundo o presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, Ossemane Adamo, o corte da via resulta da força das águas, que provocaram o desmoronamento das margens junto à ponte. A estrada havia sido recentemente reaberta, após um longo período de interrupção, devido às cheias, mas voltou a ceder perante a pressão do caudal.

Com a Wenela intransitável, a circulação passa a depender essencialmente da N1. No entanto, as autoridades alertam para o risco de a água continuar a escavar a base da estrada, o que poderá comprometer também esta via, actualmente considerada a mais segura, com possíveis impactos não só locais, mas também a nível nacional.

O número de deslocados continua a aumentar. De acordo com o edil, cerca de 3.500 pessoas já abandonaram a cidade, tendo procurado abrigo em casas de familiares ou na zona alta, enquanto aproximadamente mil munícipes permanecem ainda na zona baixa.

Apesar de algumas áreas, como a N1 e o centro da cidade, ainda não terem sido totalmente invadidas pelas águas, muitos residentes continuam a permanecer nas suas casas. As autoridades asseguram que, por enquanto, existem condições básicas, como fornecimento de água e energia, embora haja receio de furtos e vandalismo.

A zona comercial da baixa encontra-se praticamente destruída, tendo os comerciantes abandonado o local. Muitos transferiram os seus bens para espaços alugados na zona alta, que, contudo, não dispõe de capacidade logística para acolher toda a actividade económica da cidade. Estima-se que existam cerca de 600 unidades comerciais, incluindo bancos e outros serviços, actualmente afectados.

Depois de sinais de recuperação nas últimas semanas, na sequência das cheias registadas em Janeiro, a cidade volta agora a enfrentar uma nova interrupção. As autoridades indicam que esta segunda vaga de inundações poderá persistir por mais de uma semana, à medida que as águas seguem o seu curso em direcção ao mar.

Relativamente ao comportamento da população, há registo de maior colaboração nesta fase. Ao contrário do ocorrido em Janeiro, quando muitas famílias resistiram em abandonar as suas residências, desta vez, a evacuação tem decorrido de forma mais rápida e sem resistência.

Ainda assim, a situação continua preocupante, com o nível da água a subir há vários dias. As autoridades temem o agravamento do cenário, sobretudo, caso se verifique a interrupção da N1 ou de outras vias alternativas, devido à saturação dos solos.

O presidente do Conselho Municipal apela aos munícipes que ainda se encontram na zona baixa para abandonarem o local enquanto as vias permanecem transitáveis. Há também um alerta dirigido aos jovens para evitarem nadar ou pescar nas águas das cheias, consideradas extremamente perigosas. Recorde-se que, no mês de janeiro, foram registadas perdas humanas associadas a este tipo de comportamentos.

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