Pelo menos 150 supostos integrantes do grupo de “Naparamas” e antigos guerrilheiros da Renamo entregaram-se voluntariamente às autoridades na última quinta-feira, na província da Zambézia, numa cerimónia realizada na aldeia de Quembo, no distrito de Morrumbala.
Trata-se de homens e mulheres provenientes dos distritos de Mocuba, Mopeia, Namarrói, Inhassunge, Luabo e Quelimane que, segundo o seu representante – proveniente do grupo de antigos combatentes da Renamo –, havia tomado a decisão de regressar às matas devido ao alegado incumprimento de promessas feitas por Ossufo Momade no âmbito do processo do DDR. O acto é considerado um passo importante para pôr fim às disputas entre o grupo e as forças governamentais.
“Hoje estamos a sair para as nossas casas, mas pedimos ao Governo que não nos persiga”, afirmou o representante, antes de entregar a arma que estava na sua posse, gesto que foi repetido pelos restantes integrantes do grupo.
Intervindo na ocasião, o governador da província da Zambézia, Pio Matos, garantiu que os homens e as mulheres que se renderam serão reintegrados na sociedade. “Queremos garantir que este processo de integração será feito com muita seriedade. Entendemos que, em casa, temos problemas, mas só podemos resolvê-los falando. Podemos ficar zangados, mas não podemos criar distúrbios”, defendeu.
Matos assegurou que as crianças que viviam no mato com as mães serão reintegradas no sistema de ensino e apelou ao grupo para que se dedique ao trabalho e ao aumento da produção, de modo a melhorar as suas condições de vida.
Já o Comandante Provincial da PRM (Polícia da República de Moçambique), na província da Zambézia, Marinho Muchanga, afirmou que a rendição dos “Naparamas” e dos antigos guerrilheiros da Renamo representa um passo significativo para o reforço da segurança na província.

