Há cerca de seis meses que os moradores do bairro de Maxaquene C, na cidade de Maputo, enfrentam problemas no abastecimento regular de água potável. Sem água a jorrar nas torneiras há pelo menos 180 dias, a população é obrigada a percorrer longas distâncias em busca do precioso líquido.
A situação, descrita como dramática, afecta dezenas de famílias naquele bairro periférico da capital do país. “Estamos a passar mal aqui. Não há água, estamos a beber água suja”, relata Cândida Nhampossa, uma das residentes daquele bairro.
Nos poucos pontos de abastecimento alternativo disponíveis no bairro, multiplicam-se filas de recipientes alinhados. Ainda assim, nem todos conseguem garantir o suficiente para as necessidades diárias. “Às vezes, a gente vem com três bidões e só consegue encher um de água, porque há muita gente a tentar tirar água”, explica Laura Cossa.
Há quem, aliás, chegue de madrugada na tentativa de assegurar lugar. “Cheguei às 04h00 e ainda não consegui encher um bidão”, conta uma jovem, acrescentando que segue depois para o trabalho já cansada.
Mesmo com soluções improvisadas, como a reserva de água apenas para a casa de banho, o problema persiste. “Não estamos a conseguir encher os tambores todos os dias. É por isso que pedimos socorro”, apelam os residentes.
Importa sublinhar que esta crise não é um fenómeno isolado. Segundo os moradores, a falta de água tem sido recorrente ao longo dos anos, repetindo-se praticamente em todos os períodos críticos, principalmente na época chuvosa.
Em várias ocasiões, o bairro chega a permanecer meses sem abastecimento regular. Apesar disso, as facturas continuam a ser emitidas e entregues pontualmente aos clientes, o que agrava o sentimento de insatisfação e injustiça entre a população, que questiona a cobrança de um serviço prestado de forma irregular.
Perante o cenário, muitos residentes recorrem a fornecedores privados, sendo obrigados a percorrer longas distâncias para garantir o acesso ao precioso líquido, uma situação que, segundo relatam, provoca desgaste físico e constrangimentos adicionais no quotidiano.
Para além da escassez, os moradores de Maxaquene “C” queixam-se de facturação elevada, alegadamente desajustada do consumo real, o que intensifica o descontentamento face à qualidade e regularidade do serviço prestado pela empresa Águas da Região de Maputo.
Refira-se que, além do bairro de Maxaquene “C”, alguns pontos do vizinho bairro de Mavalane “A” também enfrentam problemas graves de abastecimento de água. Muitos moradores não conseguem ter acesso à água potável da rede pública. As poucas famílias que têm água em seus quintais devem acordar às 03h00 da madrugada para garantir o precioso líquido.
A situação agrava-se ainda mais com a cobrança de facturas. Mesmo sem consumo efectivo, os moradores são obrigados a pagar e só depois podem apresentar reclamações. Alice Julião Massingue contou à “Carta” que chegou a pedir a remoção do contador da sua residência por estar cansada de receber facturas de algo que nunca viu na sua casa.





