A resposta de Moçambique às cheias que afectaram cerca de 700 mil pessoas foi marcada por “liderança política clara” e “coordenação técnica eficaz”, disse esta semana a Coordenadora Residente das Nações Unidas no país, Catherine Sozi.
Sozi afirmou que os mecanismos nacionais de emergência foram activados durante a fase crítica da crise, permitindo coordenar operações de busca e salvamento e a distribuição de assistência através do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
“A resposta demonstrou liderança política clara e coordenação técnica eficaz”, declarou.
Segundo dados preliminares das autoridades moçambicanas, milhares de hectares de culturas agrícolas foram inundados, afectando a produção de milho, arroz e hortícolas em zonas ribeirinhas.
A agricultura representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique e emprega a maioria da população activa.
A interrupção temporária da EN1 levou à activação de soluções logísticas alternativas para garantir abastecimento de bens essenciais.
Economistas já alertaram que bloqueios prolongados do principal eixo rodoviário podem pressionar custos de transporte e preços alimentares.
O impacto económico deverá, contudo, situar-se abaixo do registado em 2019, quando o ciclone Idai provocou perdas estimadas em cerca de 3 mil milhões de dólares, equivalentes a aproximadamente 20% do PIB na altura, segundo o Banco Mundial.
O Idai afectou cerca de 1,8 milhão de pessoas e causou danos extensivos em infra-estruturas públicas e privadas.
As Nações Unidas lançaram um apelo superior a 180 milhões de dólares para apoiar a assistência nas áreas de abrigo, saúde, saneamento e segurança alimentar.
Moçambique enfrenta regularmente perdas económicas associadas a fenómenos meteorológicos extremos, considerados entre os principais riscos estruturais para o crescimento do país.





