O Ministro da Saúde, Ussene Isse, nega haver greve no seu sector, apesar de as associações e profissionais de saúde confirmarem a manutenção da paralisação a nível nacional. “Não há greve no sector da saúde. A equipa está unida, coesa e a trabalhar para salvar os moçambicanos”, afirmou, à margem da celebração do Dia dos Heróis Moçambicanos.
A declaração de Isse surge dias depois de associações e grupos de profissionais de saúde terem anunciado uma greve nacional, alegando o incumprimento de direitos laborais, com destaque para o não pagamento do 13º salário, num contexto já agravado pelas cheias, surtos de cólera e pela sobrecarga das unidades sanitárias.
O Ministro da Saúde diz desencorajar qualquer forma de paralisação no sector, classificando a greve como uma “fatalidade”, por se tratar de uma área que lida directamente com a preservação da vida humana.
O governante afirma que a doença “não avisa” e pode atingir qualquer cidadão, incluindo familiares dos próprios profissionais de saúde. Aliás, disse que, em greves anteriores, alguns profissionais deixaram seus pais e mães morrer nos hospitais.
Entretanto, o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), Anselmo Muchave, contraria a posição do Governo, afirmando que a greve está a ter lugar e impactando significativamente no funcionamento do Sistema Nacional de Saúde.
Falando na segunda-feira, em conferência de imprensa, Muchave explicou que, com base em informações recolhidas nas delegações provinciais, distritais e locais, a paralisação atinge cerca de 80% dos profissionais de saúde em todo o território nacional. “A APSUSM afirma que a greve provocou uma redução significativa do funcionamento do Sistema Nacional de Saúde. Quando uma unidade sanitária distrital ou local reduz ou paralisa os seus serviços, toda a rede de referência entra em colapso”, sublinhou.




