Depois de terem colocado nas mãos do Presidente da República, Daniel Chapo, a responsabilidade pela resolução do impasse que condicionava o controlo dos exames do ensino secundário que arrancaram na segunda-feira (24), os professores decidiram assegurar o processo de vigilância e supervisão das provas.
Em declarações à Carta de Moçambique, o presidente da Associação Nacional dos Professores (Anapro), Isaque Marrengule, garantiu que, apesar de o processo estar a decorrer “aparentemente bem”, o clima entre a classe continua tenso.
“A verdade é que estamos sentados em cima de um barril de pólvora. A estratégia do Governo [dividir para reinar] parece estar a surtir efeitos, mas nada impede que a qualquer momento a situação exploda”, afirmou.
Recorde-se que, a 31 de Outubro, a ANAPRO enviou uma carta ao gabinete do Daniel, solicitando uma intervenção directa do chefe de Estado.
A Presidência recusou intervir, informando que as preocupações da associação haviam sido encaminhadas “aos organismos competentes”.
A resposta não convenceu os professores, que insistem que apenas uma intervenção pessoal de Daniel Chapo poderá desbloquear a situação.
A ANAPRO afirma ter esgotado todas as vias de diálogo, sem obter soluções concretas para as reivindicações apresentadas.
Por outro lado, na semana passada, durante a 39.ª Sessão do Conselho de Ministros, o Governo anunciou a criação de 17.822 centros de exame em todo o país, onde estão inscritos 2.023.837 alunos.
A 6.ª classe surge como a que conta com o maior número de candidatos (830.244), enquanto a 12.ª classe é a que menos inscritos possui (258.550). Contudo, o Executivo não fez qualquer referência ao pagamento das horas extraordinárias dos professores responsáveis pelo controlo do processo.
Na mesma sessão, o Conselho de Ministros informou ainda que já decorre a distribuição de manuais escolares e outros materiais didácticos para o ano letivo de 2026.





