O Governo dos Estados Unidos da América anunciou, recentemente, o reforço significativo do seu compromisso na luta contra o HIV, em África, com a expansão da Estratégia Global de Saúde “América em Primeiro Lugar” e a distribuição de doses de Lenacapavir, o primeiro medicamento para prevenção do HIV administrado apenas duas vezes por ano.
A iniciativa resulta de uma parceria entre o Departamento do Estado norte-americano, a farmacêutica Gilead Sciences e o Fundo Global de Luta contra a SIDA, Tuberculose e Malária.
O anúncio foi feito numa conferência de imprensa do Centro Regional de Imprensa de África do Departamento de Estado, concedida na última semana, que contou com a participação de altos responsáveis norte-americanos, da liderança da Gilead e do director executivo do Fundo Global.
Lenacapavir chega à África no mesmo ano da aprovação nos EUA
Daniel O’Day, CEO da Gilead Sciences, destacou o carácter histórico da chegada do novo medicamento ao continente africano. “É a primeira vez que um medicamento inovador para o HIV/SIDA chega a África no mesmo ano em que recebe aprovação regulatória nos Estados Unidos”. O responsável classificou o momento como “extraordinário”, sublinhando que estabelece “um novo padrão para o acesso global a tratamentos inovadores”.
O medicamento será disponibilizado gratuitamente aos países com maior incidência de HIV, sendo que Eswatini já recebeu as primeiras doses. Eswatini, país com uma das mais elevadas taxas de prevalência de HIV do mundo, recebeu, na última semana, o primeiro lote de Lenacapavir. No auge da epidemia, em 2015, quase um terço da população vivia com HIV. Actualmente, o país ultrapassou as metas 95-95-95 e 98% das pessoas com HIV encontram-se em tratamento.
O PEPFAR — programa norte-americano de combate ao HIV/SIDA – financia o tratamento de 216 mil pessoas, mais de 95% dos pacientes em terapia antirretroviral no país. A nova fase do programa apoiará mais de 6.000 pessoas em elevado risco, com enfoque especial na prevenção da transmissão vertical de mãe para recém-nascido.
Por outro lado, o Governo dos EUA e o Fundo Global confirmaram a compra conjunta de 600 mil doses de Lenacapavir para 2026, representando a totalidade da capacidade produtiva da Gilead para este ano. O objectivo é atingir 2 milhões de doses até meados de 2027, com expansão progressiva tanto da produção como da procura.
O compromisso inicial dos Estados Unidos foi aumentado de 250 mil para 325 mil doses devido à forte procura dos países africanos. Entretanto, a implementação de tecnologias inovadoras como o Lenacapavir será acompanhada de investimentos destinados a desenvolver infra-estruturas de saúde e capacidade local de prestação de cuidados.
Inicialmente, 10 países africanos receberão doses do medicamento, com critérios definidos pela carga da doença e pelas populações mais vulneráveis. Dentro de cada país, as autoridades locais definirão as regiões e grupos prioritários, com apoio técnico dos Estados Unidos e do Fundo Global. Mulheres jovens, grávidas ou lactantes, populações desproporcionalmente afectadas pela epidemia estarão entre os grupos-alvo prioritários.
Segurança e eficácia do medicamento
O Lenacapavir não é viciante e demonstrou tolerabilidade elevada, de acordo com a Gilead. Ensaios clínicos conduzidos na África Subsariana e em outros continentes revelaram taxas de eficácia entre 99% e 100% na prevenção do HIV. O cumprimento rigoroso dos intervalos de administração, a cada seis meses, é essencial para a eficácia do tratamento.
Para garantir a sustentabilidade a longo prazo, a Gilead já licenciou voluntariamente a produção do Lenacapavir a seis fabricantes de genéricos, que deverão começar a fornecer o medicamento a partir de 2027. Este modelo permitirá reduzir significativamente o custo e alargar o acesso, segundo a farmacêutica.





