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16 de October, 2025

Mais de 1.5 milhão de moçambicanos em risco de pobreza devido aos choques climáticos

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Mais de 1.5 milhão de moçambicanos poderão ser empurrados para a pobreza até 2050, como consequência dos impactos combinados dos choques climáticos e da degradação ambiental, de acordo com o alerta do Banco Mundial. A informação foi revelada na última terça-feira, em Maputo, pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, numa Conferência Nacional de Financiamento Climático.

Segundo Valá, as estimativas do seu pelouro indicam que Moçambique precisará mobilizar cerca de 37,2 mil milhões de USD até 2030 para atingir a resiliência climática plena tanto no capital humano como no capital físico e natural.

Caso o país não consiga reunir os recursos necessários, alerta o governante, o número de pessoas em situação de vulnerabilidade social poderá aumentar drasticamente nas próximas décadas. “Estes números não são apenas estatísticas. São vidas, são famílias, são o futuro das nossas crianças, adolescentes e jovens moçambicanos”, destacou o Ministro da Planificação e Desenvolvimento.

Apesar dos desafios, Valá diz existirem experiências bem-sucedidas que podem servir de referência. Um dos exemplos é o mercado de carbono, já em desenvolvimento no território nacional, resultando da parceria com a African Carbon Markets Initiative. Esta colaboração visa lançar, em breve, o Plano Nacional de Activação do Mercado de Carbono, posicionando Moçambique como um potencial líder regional neste sector.

Outro caso apontado pelo político é a troca de dívida com a Bélgica, que converteu 2,4 milhões de Euros em investimento climático. A iniciativa, diz, demonstra como a diplomacia económica pode gerar impactos ambientais e sociais positivos de forma concreta.

Cabo Verde surge como exemplo inspirador. Segundo Valá, aquele país da CPLP negociou trocas de dívida soberana por acção climática, transformando obrigações financeiras em investimentos para a transição energética e para a economia azul. Parte desses recursos é reinvestida em fundos nacionais de resiliência, num modelo que alia sustentabilidade financeira e autonomia de desenvolvimento.

Segundo Valá, o Governo adoptou este espírito na Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025-2034, que propõe mecanismos de troca de dívida por clima e financiamento baseado em resultados. O objectivo é transformar as limitações fiscais em oportunidades para o progresso sustentável.

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