O Partido do Congresso do Malawi (MCP na sigla em inglês) reconhece formalmente os resultados preliminares das Eleições Gerais de 2025, que indicam uma clara liderança do Partido Democrata Progressista (DPP), liderado pelo Professor Arthur Peter Mutharika.
“Embora tenhamos levantado preocupações sobre alguns aspectos que marcaram as eleições, o MCP respeita a vontade do povo malawiano e admite a derrota nesta disputa e felicita o DPP pelo seu desempenho”, diz a declaração do MCP.
Assinada pelo Secretário-Geral do MCP, Richard iChimwendo Banda, a nota destaca que Lazarus Chakwera expressou a sua disposição em aceitar os resultados e busca uma passagem segura em sua transição da vida política activa.
“O MCP permanece comprometido com os valores democráticos e continuará a defender a transparência, a integridade institucional e a unidade nacional” conclui a declaração.
Mutharika lidera na corrida presidencial
O candidato da oposição, Arthur Peter Mutharika do Partido Democrata Progressista (DPP), garantiu uma liderança “dominante” nas eleições presidenciais de 2025 no Malawi, com resultados parciais mostrando-o bem à frente do titular Lazarus Chakwera, do Partido do Congresso do Malawi (MCP).
Com 24 dos 36 círculos contabilizados, Mutharika obteve 2.138.746 votos, representando 66,7% dos 3.206.686 votos válidos apurados até o momento, segundo dados verificados pela Comissão Eleitoral do Malawi (MEC). Em contrapartida, Chakwera está significativamente atrás, ressaltando a dimensão do desafio que o actual presidente enfrenta.
Dados da Comissão Eleitoral indicam que votaram 3.293.767 malawianos, dos quais, 83.781 boletins de voto foram considerados nulos, uma taxa de rejeição de cerca de 2,5%, destacando lacunas nos procedimentos e na educação cívica dos eleitores.
Aritmética de Votos
O caminho de Mutharika para a vitória parece firmemente ao seu alcance. Para atingir a exigência constitucional de 50%+1, são necessários 2.344.587 votos e Mutharika precisa apenas de um pouco mais de 205.841 dos 12 círculos ainda por declarar.
Por seu turno, Chakwera, enfrenta uma batalha árdua. Ele precisaria de 1.609.931 votos dos restantes círculos para atingir o mesmo patamar — um resultado que parece cada vez mais improvável, dadas as margens actuais.
A distribuição dos círculos ainda não declarados é agora crucial. Dados históricos mostram que algumas dessas áreas tendem a se inclinar para Mutharika, agravando as dificuldades do actual presidente em reduzir a diferença.
As projecções pressupõem que a participação eleitoral permaneça em 65,1% (4.689.172) do total de eleitores registados (7.203.390).
Historicamente, a importância da disputa entre Mutharika e Chakwera está enraizada na rivalidade política entre os dois. Mutharika, que foi presidente de 2014 a 2020, foi derrotado por Chakwera na nova eleição presidencial de 2020, ordenada pelo tribunal.
Essa votação ocorreu após a anulação da eleição de 2019, que o Tribunal Constitucional decidiu ter sido marcada por irregularidades generalizadas sob a liderança da então presidente da Comissão Eleitoral, Jane Ansah, que agora faz dupla com Mutharika.
A vitória de Chakwera em 2020 foi construída com base na Aliança Tonse, uma coligação que juntou a ex-presidente Joyce Banda e o então vice-presidente Saulos Chilima que perdeu a vida em Junho do ano passado, vítima de acidente aéreo.
Cinco anos depois, a desintegração dessa aliança alterou o cenário político do Malawi, enfraquecendo a outrora máquina eleitoral da coligação.
Os malawianos foram as urnas há cerca de uma semana, em eleições presidenciais, legislativas e autárquicas.
A Comissão Eleitoral do Malawi ainda não anunciou os resultados definitivos, apelando aos partidos e candidatos para que evitem a celebração de vitórias antecipadas.





