Passou na segunda-feira (08) uma semana, desde os acontecimentos trágicos em Bobole, província de Maputo, onde uma criança perdeu a vida após ser baleada pela polícia e, em seguida, um agente foi linchado pela população.
Na última sexta-feira, Carta conversou com uma testemunha que preferiu manter o anonimato. O relato descreve momentos de pânico vividos no local.
Segundo a fonte, o incidente teve início quando a polícia mandou parar uma viatura proveniente da África do Sul. No carro seguia uma criança, que seria entregue a familiares em Chimoio. Os agentes teriam exigido dinheiro ao condutor, mas, insatisfeitos com o valor entregue, dispararam contra o veículo em movimento. Os tiros atingiram a criança, que morreu no local.
A notícia espalhou-se rapidamente entre a população, que reagiu com indignação. Um dos agentes não conseguiu fugir e acabou linchado e queimado pela multidão.
A testemunha afirma que, após a morte do agente, a situação agravou-se com a chegada da Unidade de Intervenção Rápida (UIR). A população exigia que a polícia acompanhasse o corpo da criança até à família, mas o pedido não foi atendido, gerando confrontos.
“Eles começaram a disparar balas reais e a lançar gás lacrimogêneo. As pessoas correram para dentro do bairro. Eu própria fui uma das vítimas, caí e quase fui atingida. Foi um pânico total”, relatou.
O cenário descrito inclui moradores em fuga, crianças em desespero e até mulheres grávidas, sem possibilidade de receber ajuda. “Vi pessoas a correr sem saber para onde. O medo não era só do gás, era das balas. As balas eram reais”, acrescentou a fonte.
Os confrontos prolongaram-se até perto do meio-dia. Várias pessoas procuraram abrigo em casas vizinhas, enquanto blindados circulavam pela zona lançando projéteis. “Foi um momento de terror. Nunca vou esquecer o que vivi”, concluiu a testemunha.





