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1 de September, 2025

Ataques terroristas em Cabo Delgado ocorrem no meio de grandes cortes na ajuda internacional

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Os crescentes ataques na província de Cabo Delgado deslocaram quase 60 mil pessoas desde a última semana de Julho, criando uma crise humanitária. Dados disponíveis indicam que até Julho, apenas 19 por cento do financiamento do plano de resposta humanitária de Moçambique para 2025 havia sido financiado, o que se traduz numa ajuda inadequada devido aos cortes no financiamento internacional.

Dos 352 milhões de dólares solicitados, apenas 66 milhões foram recebidos, forçando as agências a reduzir as suas metas de resposta em mais de 70 por cento.

A província de Cabo Delgado contabiliza quase sessenta mil deslocados, informou uma agencia das Nações Unidas, no meio de anos de violência armada protagonizada pelos insurgentes ligados ao Estado Islâmico.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) disse num comunicado que os crescentes ataques que começaram em 20 de Julho deslocaram 57.034 pessoas, ou seja, 13343 famílias.

Chiure foi o distrito mais atingido com mais de 24 mil pessoas desalojadas, mais da metade das quais crianças, havendo indicações de que muitas delas estão separadas das suas famílias, segundo a OIM.

“Até agora cerca de 30 mil deslocados receberam comida, água, abrigo e itens essenciais”, disse Paula Emerson, chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) em Moçambique.

Desde outubro de 2017, a província de Cabo Delgado, rica em gás, enfrenta uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico.

A rebelião causou milhares de mortes e a interrupção de um projecto de gás natural de 20 biliões de dólares.

Devido à violência, pelo menos 349 pessoas morreram em 2024 em ataques de insurgentes no norte de Moçambique, um aumento de 36 por cento em relação ao ano anterior, segundo um estudo divulgado em Fevereiro pelo Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS). (Carta)

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