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29 de July, 2025

Belmiro Simango: o dono do parquê!

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Corriam os meados dos anos 80 do séc. XX, os tempos áureos do Clube de Desportos da Maxaquene. Em todas as modalidades que o clube movimentava, o Maxaquene era um crónico candidato ao título. O seu pavilhão era e continua a ser a catedral do basquetebol. Nessa altura o piso de parquê do seu pavilhão era o melhor do país ou mesmo, arrisco a dizer, de África.

O piso de parquê do pavilhão do Maxaquene era bem mimado e guardava um segredo que se traduzia na preservação da sua qualidade, uma qualidade que era reconhecida tanto internamente quanto internacionalmente por jogadores e dirigentes de clubes e seleções que nos visitassem na altura.

A qualidade do piso de parquê do Pavilhão do Maxaquene era tal que me lembro que se conseguia ouvir o chiar das sapatilhas dos jogadores. Um som que não se ouvia em outros pisos de parquê. Até as emblemáticas sapatilhas da UFA chiavam no parquê do Pavilhão do Maxaquene.

Tenho ainda em mente que não se podia entrar na quadra de parquê de sapatos. Apenas de sapatilhas, mesmo os jornalistas. A alternativa era descalço/de meias. Quem pisasse de sapatos o parquê do pavilhão prestaria contas ao Belmiro Simango.

Para os petizes, e caso não esteja equivocado, uns bons caraolhos de Belmiro Simango era a sanção em caso de incumprimento. Imagina, caro leitor, um par de caraolhos de uma mão que segurava a bola de basquetebol como se estivesse a segurar uma bola de ténis.

O tal segredo guardado para a manutenção da qualidade do parquê do pavilhão do Maxaquene era o controlo exercido por Belmiro Simango. Nenhuma outra modalidade de salão, mesmo as que o clube movimentava, como o andebol, usavam o pavilhão. Belmiro Simango não deixava. A federação e os clubes que movimentavam o Hóquei em Patins que o digam e eram as principais vítimas.

Na altura, e das poucas vezes que o pavilhão foi usado para outras modalidades, sobretudo em torneiros internacionais, as marcações não deviam ser com recurso a tinta e eram feitas com fita adesiva. Era a mão forte de Belmiro Simango: o dono do parquê do Pavilhão do Maxaquene.

Este pedaço da história veio-me à memória com o recente lançamento de um livro que fala da passagem de Belmiro Simango pelo basquetebol. Com a partilha da história, o meu singelo contributo, em jeito de homenagem, a esta lenda viva do basquetebol moçambicano e africano.

Não soube com antecedência o local e a hora do lançamento do livro “Belmiro Simango (Black Simon): O Embondeiro do Basquetebol Moçambicano”. Gostaria de ter estado no lançamento e de ter perguntado ao Belmiro Simango se o que conto aqui terei ou não sonhado.

Um amigo que esteve no lançamento emprestou-me o livro. Li-o por alto. A partida, da leitura, esperava ter conhecido ainda mais o Belmiro Simango, sobretudo as suas características/qualidade físicas, técnico-táticas e humanas que o diferenciava em campo e fora dele. O seu percurso de títulos coletivos e individuais como jogador e treinador. Os memoráveis clássicos Maxaquene vs Desportivo, os atletas que mais admirava e temíveis de defrontar na altura, os atletas que formou/moldou, entre outros.

Do livro fiquei mais a saber das proezas do Maxaquene nos anos 80 do século passado. De toda a maneira o livro lançado foi um passo e espero que um próximo seja ao jeito ou comparável aos “ganchos” memoráveis de Belmiro Simango.

 

 

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