A uma questão do juiz se os arguidos tinham ou não participado numa reunião com Zanil e se haviam prometido o referido crédito, Paula Boca respondeu que tomou parte de uma reunião realizada no BCI, em que Nuno Pestana e Zanil Satar informaram da operação de venda e compra do Grupo Taverna e que o encontro foi solicitado pelo banco depois de o queixoso ter abordado o banco sobre a nova forma de movimentação de fundos do Grupo Taverna, sem que este tivesse qualquer informação.
Para além desse encontro, assegura que nunca participou noutros encontros com Zanil Satar, muito menos para prometer um crédito de 600 milhões de Meticais, uma narrativa também contada por George Mandava. Aliás, George Mandava diz não saber por que razão é arguido porque nunca esteve envolvido no negócio da venda do Taverna.
“Quando me reuni com o Senhor Zanil para falar sobre o Taverna, o negócio já tinha sido fechado”, disse Mandava, assegurando também não conhecer António Duarte, o consultor financeiro do Taverna que disse ao Ministério Público que o Grupo estava a enfrentar problemas financeiros.
Filipe Sitoe alega que funcionários do BCI são mentirosos
Respondendo aos argumentos da defesa, Filipe Sitoe disse que era necessário entender o enredo, pois, os 600 milhões de Meticais em causa eram o tecto máximo de crédito que Zanil Satar podia aceder no BCI, pois, o valor seria disponibilizado em tranches. Afirma que Paula Boca fez parte de encontros com o queixoso, um no BCI e outro nas instalações do ofendido, para além de terem trocado diversos emails a discutir o assunto.
Diz também que Mandava sempre esteve a par do negócio, pois, numa das reuniões, este participou através de uma chamada telefónica e que, antes de Julho de 2023, o BCI já estava a analisar o pedido de financiamento, tendo enviado uma carta ao ofendido em Março do mesmo ano.
A acusação entende que o BCI agiu de má-fé, pois, não informou ao queixoso que não podia usar a Conta Corrente Caucionada para pagar dívidas, apesar de estar ciente dessa suposta irregularidade. Diz ainda que o BCI usou Zanil Satar como fonte de financiamento para se livrar do crédito mal-parado do Taverna; que não avisou o queixoso sobre o risco que corria ao comprar o Grupo Taverna, tendo em conta o seu nível de endividamento; e que o BCI quebrou o sigilo bancário ao fornecer dados do Taverna ao queixoso.
Sitoe defende ainda que o Banco de Moçambique não é santo neste processo, pois, no lugar de punir o BCI e seus funcionários, preferiu encobri-los, devido a sua importância no sistema de pagamento de salários, visto que, à data dos factos, o BCI era alegadamente o principal banco salarial do Estado. Acrescenta, aliás, que o Banco de Moçambique não fez qualquer diligência para averiguar as alegações de Zanil Satar. Por isso, entende que o seu cliente foi vítima de uma burla agravada do BCI, engendrada com objectivo de resolver os problemas de crédito mal-parado do Taverna.
Correia acusa Zanil de retardar as acções executivas
Retorquindo, o advogado Gilberto Correia reiterou que o caso é “um nado morto” e que os ofendidos recorrem a factos não arrolados pelo Ministério Público para salvar a acusação e que tal não passava de um “muro de lamentações”.
Correia refere que a acusação fala apenas de um empréstimo de 600 milhões de Meticais, mas não especifica quanto o banco ia disponibilizar por cada tranche. Igualmente, afirma que a Conta Corrente Caucionada não tem um fim específico, pois, visa apoiar a tesouraria. Questiona ainda as razões de Shadia Damão não ter sido arrolada no caso, embora tenhas feito parte de alguns encontros com o queixoso.
O antigo Bastonário da Ordem dos Advogados afirma que o email enviado ao queixoso a abordar os 600 milhões de Meticais visava apenas alertá-lo sobre a sua exposição ao risco e não o seu financiamento. Por isso, defende que o processo aberto por Zanil visa apenas parar as acções executivas iniciadas pelo credor (BCI) contra o empresário. (A.M.)





