Pelo menos 26 pessoas foram mortas e 47 raptadas durante o mês de Junho na província de Cabo Delgado, devido a uma nova vaga de violência armada, revelou um relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), citado pela Agência Lusa.
O documento alerta para uma intensificação dos ataques dirigidos contra civis, pilhagens, raptos e uso de engenhos explosivos improvisados, sobretudo nos distritos de Macomia, Muidumbe e Meluco, no centro e norte da província. “A violência contra civis resultou na morte de 26 pessoas e no rapto de 47, além da destruição de infra-estruturas e pilhagens em diversas comunidades”, refere o relatório.
Segundo a ONU, em Junho, foram registados 72 incidentes armados, agravando a insegurança e dificultando o acesso humanitário em várias regiões. Além das vítimas, foram confirmados pelo menos 10 casos de pilhagens e destruição de bens, incluindo casas, lojas, barcos de pesca, veículos e áreas agrícolas. A Estrada Nacional 380, uma via fundamental para a mobilidade na região, foi também alvo de ataques.
O relatório destaca ainda a prática generalizada de extorsões e pedidos de resgate por parte dos insurgentes, o que está a comprometer a circulação de civis e de organizações humanitárias, especialmente nas zonas de Meluco, Mocímboa da Praia e Macomia.
Apesar da violência armada, a ONU registou episódios em que os insurgentes adoptaram uma abordagem de “conquista de corações e mentes”, mantendo diálogo com populações locais, como aconteceu entre os dias 2 e 9 de Junho nos distritos de Quissanga e Macomia, onde chegaram a adquirir alimentos e bens não alimentares sem recorrer à violência.
Desde o início da insurgência em 2017, Cabo Delgado tem sido palco de uma grave crise humanitária, com mais de um milhão de deslocados e milhares de mortos, apesar dos esforços das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique e do Ruanda. (Zumbo FM)




