Pouco antes de terminar o mandato de Filipe Nyusi, como presidente da República de Moçambique, publiquei um texto neste espaço a questionar a Carlos Mesquita se ele sentia-se orgulhoso em chegar ao fim de um ciclo onde ele era ministro das Obras Públicas sem ter reabilitado a EN1 conforme tinha prometido. Eu não sei se Mesquita sentiu-se ou não desconfortável com a pergunta que eu fazia por via de uma crónica publicada neste jornal. É provável que tenha ficado, pois o seu assessor de imprensa reagiu através de uma chamada telefónica tentando justificar algo tão profundo. E doloroso.
Depois publiquei outro texto, não a perguntar ao Presidente Daniel Chapo, mas a pensar que ele saía de Inhambane sem ter conseguido restaurar um troço crítico de vital importância de cerca de 30 km, que liga Lindela e a cidade onde está montado o seu gabinete de trabalho e onde morava também. Desta vez ninguém reagiu.
Mas eu devia ter ido mais a fundo e confrontar o Presidente Chapo com uma situação lamentável que está a acontecer na urbe, que se caracteriza pelo desfiguramento da cidade, pela destruição da sua arquitectura e consequentemente da história com elementos profundos do tempo da escravatura. Aqui havia um pórtico dos escravos, cujo monumento está por demais negligenciado.
Já houve planos de alargamento da cidade, primeiro para a zona de Nhampossa – um lugar esplendoroso e de grande cobiça – e depois para Chamane. Até porque houve uma grande euforia no princípio, com fundações para aquilo que seria o edifício da Procuradoria Provincial em Nhampossa. Em Chamane também foram dados alguns passos fisicamente, com sinais de abertura de vias de acesso, mas tudo isso esfumou-se sem qualquer justificação pública.
Seria um sonho de grandeza política notável se tivesse havido a materialização desse projecto, porém fracassou ainda no primeiro degrau, e agora já nem se fala do assunto. E o que restou como alternativa é voltar atrás e congestionar a cidade com novos edifícios que podiam iniciar a parte nova da cidade e assim terímos uma história para contar. Mas faltou audácia, e eu não sei se o Presidente Chapo tem orgulho desse fracasso, como ex-governador de Inhambane.
Estou a falar da minha cidade, aqui onde eu moro e onde eu nasci. Falo porque estas feridas, que vão sendo abertas por falta de sonhos sólidos e de futuro, violentam-me como se fosse a minha alma a ser atormentada, a aurora parece estar longe por demais. E a cidade de Inhambane não compactua com prédios altos, muito menos com a substituição de edifícios do tempo passado. Se quiserem fazer isso, façam-no noutro lugar, em novos lugares como Nhampossa e Chamane.





