Certamente que o leitor já terá acompanhado na imprensa e no dia-a-dia que a polícia não consegue prevenir, combater e investigar o crime por falta de meios adequados. Mais ou menos o mesmo que acontece no desporto quando se diz que a falta de resultados é por culpa dos dirigentes.
Tenho presente que a nível desportivo, em particular nos meandros futebolísticos, levei muito tempo até que percebesse a relação de causa e efeito – quanto aos resultados – entre o talento dos jogadores e as funções/desempenho dos dirigentes. Tudo ficou dissipado quando faltou gelo no balneário dos “Mambas”, a selecção nacional moçambicana de futebol.
Em relação a polícia, tomei conta da ligação entre a falta de meios adequados e a incapacidade dela poder prevenir, combater e investigar o crime no dia em que um amigo foi roubado. O tal amigo e eu, e por se saber de antemão que a polícia não tinha meios adequados, decidimos avançar para uma investigação privada, armados em Sherlock Holmes.
Dos dados colhidos, permitiu que se chegasse a um forte suspeito e foi montada uma estratégia para a sua captura na casa onde residia na zona da Pandora, na Av. Eduardo Mondlane. A ideia era a de suspendê-lo nas primeiras horas do dia quando estivesse a sair para os seus afazeres, incluindo a venda do produto do roubo.
Uma vez que ele estivesse a demorar sair de casa tocou-se a campainha e nada. Afinal ele já havia percebido e saiu pela porta dos fundos. Nesse momento, um dos mirones, fixado nas redondezas, sinalizou com o histórico assobio “Madalena”, enquanto o suspeito atravessava a Av. Eduardo Mondlane num disfarçado passo corrido para que não desse a entender que fugia de algo.
Diante da possibilidade de o deter apelamos aos préstimos do velocista canadiano Ben Johnson. O suspeito, que já se havia percebido das movimentações, mesmo antes de sair de casa, entrou num táxi que o esperava praticamente de porta aberta. Nesse instante, reforçamos a velocidade, apelando a ajuda do norte-americano Carl Lewis. Debalde.
Infelizmente, e nem com o reforço de Johnson e Lewis, vimos, ofegantes, o táxi a desaparecer dos nossos olhos e, consequentemente, também o suspeito se escapulia. Nesse instante, frustrados e parados no cruzamento da Pandora, o meu amigo diz: já percebes quando a polícia diz que não tem meios adequados.
Certamente, e porque ainda continua recorrente a justificação da falta de meios da polícia, que pelas hostes da polícia o responsável pelo provimento do “gelo” está também sem meios, uma situação que nas hostes dos “Mambas” parece resolvida, avaliando os resultados no caminho para a qualificação ao Mundial de 2026.





