Ganha forma a ideia de que há sectores do partido no poder que não vêem com bons olhos a aproximação entre Daniel Chapo e Venâncio Mondlane, cujo pontapé de saída teve lugar na noite do passado dia 23 de Março, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo.
Ontem, 31 de Março, a Comissão Política da Frelimo, o órgão que orienta e dirige aquela formação política no intervalo entre as sessões do Comité Central, esteve reunida, em sua 45ª Sessão Ordinária, para analisar a actualidade política, social e económica do país, tendo, no fim, emitido um comunicado no qual saúda o seu líder pelo diálogo inclusivo.
De acordo com o comunicado, de duas páginas e redigido em duas fontes distintas (cambria e times new roman), a Comissão Política da Frelimo congratula Daniel Francisco Chapo “pela sua liderança firme e dedicação na promoção da paz, estabilidade social e desenvolvimento de Moçambique, “através de um diálogo inclusivo e construtivo com todas as forças vivas da sociedade”, adoptando soluções assertivas para os desafios que afectam os cidadãos, “garantindo maior proximidade com a população e reforçando o compromisso com um Moçambique mais unido, pacífico e próspero”.
Na saudação, a Comissão Política não faz referência ao encontro mantido entre o seu líder e o segundo candidato mais votado das VII Eleições Presidenciais, Venâncio Mondlane, o rosto político dos protestos pós-eleitorais, que tomaram conta do país desde 21 de Outubro e que resultaram na morte de mais de 350 pessoas, na sua maioria assassinadas pela Polícia e na destruição de diversas infra-estruturas públicas e privadas.
Sectores radicais da Frelimo, incluindo seus grupos de choque, que inundam programas de debate político nas televisões nacionais, consideram Venâncio Mondlane como autor moral da destruição de infra-estruturas, defendendo a sua detenção e seu banimento político. O encontro secreto de domingo “caiu” feito uma bomba, tendo obrigado dezenas de analistas de plantão a reinventar o seu discurso.
Lembre-se que o partido Frelimo reúne-se, esta semana, na Matola, em mais uma sessão ordinária do Comité Central, o órgão mais importante entre os congressos. O encontro com Venâncio Mondlane deverá ser um dos temas de debate entre os membros do órgão.
No seu comunicado de imprensa, para além de não se pronunciar sobre o encontro entre Daniel Chapo e Venâncio Mondlane, a Comissão Política saudou “os avanços significativos” alcançados pelo seu Governo nos primeiros 100 dias de governação, com a criação do Fundo de Recuperação Empresarial (que já causa polémica) e o lançamento do “Projecto Internet para Todos”, duas iniciativas que ainda não tiveram qualquer efeito real na sociedade.
“Estas acções reafirmam o compromisso do Governo em fortalecer a economia, reduzir desigualdades e preparar Moçambique para os desafios do futuro, garantindo um desenvolvimento sustentável e tecnológico acessível a todos”, defende a Comissão Política, que saudou também a visita do Presidente do Botswana, Duma Boko, ao porto de Nacala, e as visitas efectuadas por Daniel Chapo às províncias do Niassa e Nampula. (Carta)