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7 de September, 2025

Futuro de Roberto Mito à espera do que o GCCC apurar

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O futuro de Roberto Mito Albino no Governo de Daniel Chapo dependerá do que o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) apurar na sua investigação anunciada nesta sexta-feira.

Embora a generalidade da opinião pública exija uma imediata responsabilização política de Roberto Mito, consentânea com a promessa chapista de “tolerância zero” contra a improbidade, o Presidente da República prefere o benefício da dúvida, num registo compreensível de recato institucional.

Isto significa que uma decisão presidencial sobre o futuro de Roberto Mito dependerá de o GCCC encontrar indícios criminais contra ele no quadro do mal parado e revogado processo de procurement do Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique.

A abertura do inquérito judicial pelo GCCC aconteceu uma semana depois de a Presidência da República ter passado a bola para a Procuradoria Geral da República na sequência das denúncias de duas reputadas organizações da sociedade civil, nomeadamente o CIP e o CDD.

O que se esperava era que o Gabinete agisse imediata e oficiosamente sem esperar pelo recado de Chapo… sua acção após recado presidencial deixou mais uma vez patente a percepção de que a investigação penal sobre práticas corruptivas em Moçambique segue ainda a reboque da decisão política, o que evidencia a limitada independência da PGR como pilar fundamental de integridade pública.

E, no quadro do diapasão do aparato institucional anti-corrupção em Moçambique, este caso – que por enquanto é mais de ética do que de corrupção – mostra também a penosa irrelevância da Comissão Central de Ética Pública.

Instituída em 2022 para velar sobre a improbidade dos servidores públicos, nomeadamente dos titulares de cargos governativos, monitorando seu envolvimento em situações de conflito de interesses, esta comissão, um autêntico aborto, ainda não tugiu nem mugiu no caso vertente do desastroso procurement.

O silêncio barulhento desta comissão, paga por nossos impostos, é completamente inaceitável. Mais do que esperar que o Presidente Chapo accionasse a reacção do GCCC, esta comissão devia ter exarado rapidamente um relatório sucinto sobre a extensão do conflito de interesses denunciado, sugerindo subsequentemente o respectivo inquérito judicial.

Mas não. Continua caladinha da silva, amorfa, inexistente, no que é o derradeiro e lastimoso exemplo de como o propalado combate à corrupção em Moçambique não passa de uma brincadeira de mau gosto.

Mas…e agora camarada Roberto Mito?

Agora, as coisas parecem mais complicadas. Sobretudo porque ficou provado nesta semana que Vossa Excelência teve a amabilidade de ouvir a apresentação do projecto da empresa de Paulo Auade Júnior, duas semanas antes de ela ganhar o concurso de 2 milhões de USD lançado pelo Instituto do Algodão e, no caso vertente, ganho com o preço mais alto, sabendo-se que a margem de lucro dos concursos de consultoria é extremamente alta.

Muita boa gente que lhe é até simpática ficou estupefacta com aquela evidência audiovisual, aliás, postada nas páginas do Ministério que dirige.

E agora? Agora exigimos que o GCCC seja célere na sua apuração. Precisamos de sair rapidamente deste penoso episódio que está fazendo mossas à governação de Daniel Chapo.

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