Na semana que vém, a Frelimo vai finalmente escolher seu cabeça de lista para as eleições municipais de Maputo. Dentre os três candidatos enviados pelo comité da cidade para homologação pela Comissão Política, consta o nome de Razaque Manhique, jurista com experiencia gestão empresarial, o único que sobrou de uma razia centralmente dirigida apostada em proteger a veterania em desfavor da juventude.
Outros candidatos são Eneias Comiche e Fernando Sumbana.
Eventualmente, Manhique, que é vice-presidente da Assembleia Municipal desde 2013, é o único cuja candidatura é oriunda das bases. Alegadamente, ele também reivindica o suporte da OJM e da OMM, tal como Samora Machel Jr. É o sobrevivente entre todos os jovens (Edson Macuacua, Gilberto Mendes, João Matlombe e Samora Machel) que almejavam o mesmo lugar. É esperado que a Comissão Politica homologue as três candidaturas, que irão passar depois pelo escrutínio, em votação secreta, de cerca de 120 membros do comité da cidade. Manhique vai tentar remar contra a maré.
Há quem diga que ele foi arrastado até onde chegou como fauna acompanhante, ou seja, suas possibilidades de vingar são diminutas. Entre todos os outros jovens que ficaram pelo caminho, Manhique (que já foi director da Academia Mário Esteves Coluna e assessor do CA do Hospital Privado de Maputo, para além ter passado pela direcção do Instituto Tecnicol) é visto como o menos capaz para disputar contra Comiche e Sumbana, tanto mais que a orientação de voto da Comissão Política tenderá para a eleição de Comiche.
Pondo de lado eventuais diferenças entre Filipe Nyusi e Graça Machel, que terão levando ao afastamento de Samora Jr. com argumentos pouco convincentes, a opção por Comiche decorre alegadamente da necessidade de se garantir mão forte e experiente que tome conta da urbanização da margem sul, a Catembe, depois de um investimento de cerca de 800 milhões de USD na construção de uma ponte de 3 km.
Nos meandros da Frelimo, o debate recorrente encerra uma frustração por essa hesitação da liderança do Partido em dar à juventude os destinos da governação da cidade depois do cinzento consulado de David Simango. Os destinos de Maputo, comenta-se, devia estar nas mãos da juventude e não de gente em idade de reforma, independentemente de sua competência e carisma. Por outro, alega-se que o expediente usado para o afastamento dos nomes mais jovens violou a directiva sobre eleições interna. Seja como for, as correntes juvenis da Frelimo ainda podem contar com Razaque Manhique, descrito como um homem de convicções próprias e uma grande dose de integridade.
Dois membros da Assembleia Municipal dizem que sua postura nos trabalhos mostrou uma capacidade para aglutinar diferenças e colocar água na fervura quando as discussões descambavam para radicalismos de cor partidária; dizem também que seu maior trabalho como vice-presidente do organismo foi dinamizar a cooperação internacional da autarquia. Mas dificilmente sua candidatura vingará. Se seu nome for homologado, ele será um peso pluma desafiando dois pesados.
Na foto: Razaque Manhique com o Presidente Nyusi