A organização Armed Conflict Location & Event Data (ACLED), que monitora o conflito, em Cabo Delgado, suspeita que os mais recentes ataques a comunidades rurais no distrito de Nangade serviram de cobertura para os terroristas manterem contacto com as suas redes de apoio na Tanzânia, sobretudo para recrutamento e fornecimento de mantimentos.
Numa análise referente ao mês de Setembro, publicada recentemente, a organização conta que, no dia 20 de Setembro, as tropas tanzanianas destacadas em Nangade mataram dois suspeitos de integrar a insurgência e detiveram um terceiro, que teriam atravessado a fronteira a partir da Tanzânia.
Outro elemento que sustenta a desconfiança da ACLED é o facto de ter sido visto um grupo de combatentes do Estado Islâmico de Moçambique a deslocar-se em direcção a Namatil, região de fronteira entre Moçambique e Tanzânia. A organização suspeita que o referido grupo usou o caminho para receber os indivíduos interceptados pelas forças tanzanianas ou outros elementos, que escaparam da vista das autoridades.
Refira-se que o distrito de Nangade registou, entre Setembro e Outubro corrente, uma nova vaga de ataques terroristas, incluindo movimentações massivas de insurgentes, facto que causou uma nova avalanche de deslocados.
De acordo com o mais recente Relatório do Mecanismo de Monitorização de Deslocações de Emergência, da Organização Internacional das Migrações, citado pela Lusa, entre 21 de Setembro e 02 de Outubro, pelo menos 4.445 pessoas fugiram das suas casas, nos distritos de Nangade, Macomia, Muidumbe e Mocímboa da Praia.
Segundo a Lusa, as deslocações foram desencadeadas por ataques e pelo receio de novos ataques perpetrados por grupos armados não estatais, com os maiores movimentos registados na localidade de Nambedo, distrito de Nangade, de onde saíram 2.682 pessoas, seguindo-se Chai, em Macomia, com 569 deslocados, e Miengueleua, em Muidumbe, com 370.





