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23 de September, 2026

Sinistralidade nas estradas moçambicanas: 239 mortos no primeiro semestre

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A Estrada Nacional Número Um (EN1) voltou a ser palco, na noite de quinta-feira (17), de uma tragédia de grandes proporções, na zona de Helene, distrito de Zavala, província de Inhambane, na sequência da colisão entre um transporte semi-colectivo de passageiros e uma viatura das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). O acidente provocou 24 mortos e dois feridos ligeiros, além de avultados danos materiais.

O sinistro ocorreu por volta das 21 horas, quando as duas viaturas circulavam em sentidos opostos. O semi-colectivo, que transportava um número excessivo de passageiros, seguia no sentido Norte-Sul, enquanto a viatura militar transitava em sentido contrário. O embate foi de tal forma violento que 22 pessoas perderam a vida no local, enquanto outras duas morreram posteriormente numa unidade sanitária, segundo informacoes fornecidas pelas autoridades.

O semi-colectivo, autorizado a transportar 15 passageiros,levava a bordo 24 pessoas, o que representa um aumento de nove viajantes acima da lotação. Trata-se, em verdade, de uma realidade que se vive em todo território nacional, desde a introdução dos vulgos “chapas” de 15 lugares, que transportam, em média, entre 18 a 20 passageiros, excluindo o condutor e o respectivo cobrador.

A dimensão da tragédia voltou a colocar a sinistralidade rodoviária no centro do debate nacional. Em comunicado, o Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou pesar pela perda de vidas e apelou aos automobilistas e demais utentes das vias públicas para o cumprimento rigoroso das regras de trânsito, destacando a necessidade de prudência, responsabilidade e respeito pela vida.

O apelo presidencial junta-se às manifestações de consternação das autoridades provinciais e de várias instituições, entre as quais, os Ministérios da Defesa Nacional e dos Transportes e Logística e a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO).

Devido ao impacto, o acidente de Zavala torna-se ainda mais expressivo quando comparado com outros acidentes registados ao longo do ano. No passado mês de Agosto, a Estrada Nacional Número 12, na ponte da Barragem de Nacala-à-Velha, província de Nampula, foi palco de uma colisão frontal entre um camião de transporte de mercadorias e uma viatura de transporte de passageiros. Do acidente resultou a morte de seis pessoas e cinco feridos graves.

Segundo dados do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), o camião, que seguia no sentido Monapo-Nacala Porto, saiu da sua faixa de rodagem e embateu frontalmente contra a viatura de passageiros que circulava em sentido contrário. As causas preliminares apontaram para circulação em contramão e cruzamento irregular, associado à velocidade excessiva do veículo de passageiros.

O sinistro de Nacala-à-Velha não foi um caso isolado naquela estrada. No dia 9 de Julho, também na EN12, no troço Monapo-Nacala, outro acidente envolvendo veículos pesados provocou uma morte, engrossando a sucessão de ocorrências registadas naquela via.

Ainda em Agosto, desta vez em Caprizange, distrito de Moatize, província de Tete, um transporte semi-colectivo que fazia a ligação entre Angónia e a capital provincial despistou-se, provocando quatro mortos e 14 feridos. Três das vítimas morreram no local e a quarta perdeu a vida numa unidade sanitária. Entre os feridos, três foram considerados graves e 11 moderados. A Polícia de Trânsito apontou a velocidade como um dos factores que poderá ter contribuído para a perda de controlo da viatura.

Um mês antes, em Julho, um autocarro da transportadora Nagy Investimentos, que fazia o trajecto Nampula-Chimoio, despistou-se e capotou na zona de Cafumpe, distrito de Gondola, província de Manica. O acidente ocorreu por volta das cinco horas da manhã e provocou três mortos e 29 feridos. As vítimas mortais perderam a vida no local, enquanto os feridos foram encaminhados para unidades sanitárias da região.

Também em Julho, mas desta feita na província de Gaza, duas pessoas morreram e quatro ficaram feridas num acidente ocorrido em Chissano, distrito de Limpopo. O sinistro envolveu duas viaturas ligeiras de transporte de passageiros que circulavam em sentidos opostos na EN1. A Polícia apontou, como possíveis causas, a visibilidade reduzida devido ao nevoeiro, a sonolência e uma ultrapassagem irregular.

Já em Fevereiro, a vila de Marracuene, província de Maputo, registou um acidente envolvendo cerca de 12 viaturas. O sinistro teve origem no despiste de um camião de carga, que acabou por arrastar outras viaturas e provocar uma colisão em cadeia. Quatro pessoas ficaram gravemente feridas e pelo menos cinco veículos ficaram totalmente destruídos.

O primeiro semestre também registou uma preocupação particular em relação às crianças. Em Maio, as autoridades policiais de Tete reportaram a morte de seis crianças desde o início do ano, vítimas de acidentes de viação enquanto se deslocavam para a escola. As vítimas frequentavam instituições localizadas nas proximidades da EN7 e de outras vias consideradas de elevado risco.

Dados divulgados pelo comandante-geral da PRM, Joaquim Sive, indicam que, apenas no primeiro semestre de 2026, Moçambique registou 169 acidentes de viação, que provocaram 239 mortes e deixaram 1.112 feridos ligeiros e graves. Os números mostram que, em média, mais de uma pessoa morreu por cada acidente registado naquele período.

Embora o número de acidentes e de mortes seja inferior ao registado no mesmo período de 2025, altura em que foram contabilizados 326 acidentes e 409 mortes, o balanço continua a representar uma pesada factura humana para o país.

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