Num momento em que o país enfrenta o drama das cheias e inundações, os profissionais de saúde anunciam o início, esta sexta-feira, de uma greve de 30 dias, prorrogável, em protesto contra a decisão do Governo de pagar apenas 40% do 13.º salário aos funcionários públicos, agentes do Estado e pensionistas.
O anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo Presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), Anselmo Muchave, que considerou a medida governamental “injusta e desrespeitosa” para uma classe que, segundo afirmou, tem assegurado o funcionamento do Sistema Nacional de Saúde (SNS), muitas vezes “em condições adversas”.
Lembre-se que o Governo anunciou, na terça-feira, que vai proceder ao pagamento do 13.º salário, porém, o correspondente a 40% do salário base, uma promessa a ser cumprida nos meses de Janeiro e Fevereiro, após o pagamento dos salários. A decisão foi justificada com limitações financeiras do Estado.
“Recebemos com agrado a informação de que vamos receber o 13.º salário, mas não aceitamos os 40%. Exigimos o pagamento a 100%”, disse Muchave, para quem a decisão do Governo ignora os sacrifícios feitos pelos profissionais de saúde, num contexto marcado pela escassez de recursos, sobrecarga de trabalho e elevada pressão sobre as unidades sanitárias.
A APSUSM entende também que o pagamento parcial do 13.º salário não corresponde às expectativas nem às necessidades dos trabalhadores, agravando o clima de desmotivação no sector. Para além da reivindicação do pagamento integral do 13º salário, a agremiação refere que a paralisação constitui igualmente uma forma de denúncia da crise estrutural que afecta o Sistema Nacional de Saúde.
Segundo a APSUSM, a greve manter-se-á enquanto o Governo não rever a percentagem do pagamento do 13.º salário para 100%. “Esta decisão não foi tomada de ânimo-leve, mas como último recurso face à falta de responsabilidade e de respeito institucional”, defendeu Muchave.
Refira-se que a greve dos profissionais de saúde ocorre num momento particularmente sensível para o país, marcado por chuvas intensas — com registo de inundações e cheias em alguns distritos — que já provocaram várias mortes. A situação é agravada pelo risco de surgimento de doenças típicas da época chuvosa.





