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Actualizado de Segunda a Sexta

9 de December, 2025

Trabalhadores da antiga vidreira exigem ao IGEPE pagamento de 148 milhões de meticais após duas décadas de espera

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Desde as primeiras horas da manhã de segunda-feira (8), cerca de 30 trabalhadores concentraram-se diante do edifício do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), em Maputo, para exigir o pagamento das indemnizações que alegam estar pendentes há mais de 20 anos. O grupo, composto por homens e mulheres, instalou-se no passeio, alguns sentados, outros deitados, numa demonstração de resistência e insatisfação pelo incumprimento do decreto judicial.

Os ex-trabalhadores dizem representar um universo de cerca de 500 antigos trabalhadores da empresa vidreira onde prestaram serviços até 2001. Naquele ano, segundo relatam, os então accionistas portugueses abandonaram a fábrica e deixaram a operação nas mãos do Estado, que acabou por encerrar definitivamente a unidade industrial.

“O Tribunal, no passado dia 25 de Novembro, sentenciou o IGEPE a pagar 148.178.520 meticais. Estamos aqui para pressionar a instituição a cumprir a decisão judicial”, afirmou Alfredo Tivane, representante da comissão dos trabalhadores.

Tivane explica que o processo chegou ao Tribunal em 2002, tendo permanecido em tramitação durante mais de 20 anos. O grupo afirma que, ao longo deste período, procurou várias entidades públicas para desbloquear o pagamento da indemnização, sem sucesso. 

“A Inspecção de Trabalho disse-nos que, devido à separação de poderes, e por já existir uma sentença do Tribunal da Cidade, não podia pegar no assunto. Então recorremos novamente ao Tribunal para permitir que a Inspecção fizesse os cálculos. Assim fez, calculou e fixou o valor, que já foi oficialmente notificado ao IGEPE. Até hoje, a instituição não respondeu à nossa preocupação”, detalhou Tivane.

Os trabalhadores afirmam que, diante da falta de respostas, decidiram estabelecer uma vigília diária, das 8h00 às 15h30, até que o IGEPE apresente uma posição concreta. “Ficaremos aqui todos os dias até sair a resposta, que é o pagamento”, garantem.

Durante toda a manhã, e até ao momento em que deixaram o local, os protestantes dizem não ter recebido qualquer informação ou comunicação por parte do IGEPE.

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