O secretário-executivo do Conselho Nacional de Combate ao SIDA (CNCS), Francisco Mbofana, alertou na segunda-feira (01), para o que considera ser uma “crise de relaxamento” no país relativamente à prevenção e resposta ao HIV/SIDA. A declaração foi feita durante as comemorações do Dia Mundial de Luta contra o SIDA, assinalado anualmente a 1 de Dezembro.
Na sua intervenção, Mbofana recordou que a data foi instituída em 1988 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com o objectivo de promover solidariedade, respeito pelos direitos humanos e compaixão para com as pessoas infectadas ou afectadas pelo HIV. Em Moçambique, as celebrações começaram em 2001, um ano após a criação do CNCS.
O responsável destacou que o lema escolhido para as comemorações deste ano “Superar as crises, transformar a resposta ao HIV” visa, sobretudo, reduzir o estigma e a discriminação, factores que continuam a impedir muitas pessoas de utilizarem os serviços de prevenção, cuidados e tratamento disponíveis. “O vírus pode ser prevenido e tratado, mas o estigma afasta as pessoas dos serviços”, afirmou.
Segundo Mbofana, o 1 de dezembro tem um significado especial em Moçambique, país onde o HIV/SIDA continua a impactar fortemente o sistema nacional de saúde, orientando parte substancial dos esforços públicos na área.
“Crise de relaxamento” entre a população
Durante o discurso, Francisco Mbofana partilhou exemplos recentes que, segundo ele, revelam um preocupante desinteresse social em relação ao HIV. Contou que, num transporte semi colectivo, foi questionado por um motorista sobre se “o SIDA ainda existe”, o que ilustra, no seu entendimento, a perda de consciência pública sobre a gravidade da epidemia.
O dirigente alertou igualmente para a existência de “correntes” que desencorajam o uso do preservativo, promovendo relações sexuais ocasionais sem protecção. “É uma situação complicada. Quando tentamos promover o uso consistente do preservativo, surgem vozes contrárias. Isto é também sinal de relaxamento”, advertiu.
Lançamento da campanha “Dezembro Vermelho”
Durante a cerimónia, foi oficialmente lançada a campanha “Dezembro Vermelho”, uma iniciativa de consciencialização intensiva sobre prevenção, cuidados, tratamento e eliminação do estigma.
Francisco Mbofana explicou que, apesar da forte mobilização no dia 1 de dezembro, a mesma tende a desaparecer logo no dia seguinte. Por isso, a campanha prolonga-se até 30 de dezembro, com continuidade até ao próximo dia 1 de dezembro. “Queremos que as acções iniciadas hoje se estendam pelos próximos 30 dias, de modo a alavancarmos a nossa resposta”, declarou.
O secretário executivo concluiu sublinhando a importância da mobilização colectiva, intelectual, financeira e material para enfrentar a epidemia e acelerar o controlo do HIV no país. (M.A)





