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28 de November, 2025

Transportadores da Matola-Gare paralisam actividade em protesto contra a degradação da Avenida Eduardo Mondlane

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A circulação esteve condicionada, esta quinta-feira, na cidade da Matola, depois de os transportadores de semi colectivos suspenderem as actividades para protestar contra a degradada condição da Avenida Eduardo Mondlane. A paralisação obrigou centenas de utentes a percorrer longas distâncias a pé para chegarem aos seus destinos.

A via, que liga Matola-Gare a Machava, T3, Patrice e outras rotas adjacentes, tem sido motivo de queixas recorrentes. Esta é a segunda vez, no espaço de semanas, que os operadores paralisam o serviço devido ao mau estado da estrada.

Entretanto, vários transportadores afirmam que as intervenções feitas recentemente não só foram insuficientes, como agravaram a situação.

Marcelo Armínio Macamo, fiscal da estrada, explica: “O município tenta intervir, mas todos os dias surgem novos buracos. Nem uma semana passa sem problemas. A situação não está fácil e estamos a pedir ajuda ”.

Já Francis José Manhica, transportador, recorda que este é um problema antigo e que piora sempre que chove: “A situação é caótica. Do 15 à Naz Naz e até ao 18, a estrada fica intrafegável. Já parámos três vezes e não sabemos a quem recorrer. Dizem que a estrada é da Administracao Nacional de Estradas (ANE), o município diz que não intervém, e nós ficamos no meio, sem respostas e sem saber a quem recorrer ”.

Manhica refere ainda que a intervenção feita há duas semanas “piorou o cenário”.

“Retiraram pedras que ainda permitiam a passagem e criaram autênticas lagoas. Passamos três a quatro horas num engarrafamento. Assim não há rendimento possível ”.

Outro transportador, identificado como Oliveira, detalha os vários pontos críticos: “Na zona das bombas da Machava, tiraram a pedra que facilitava a circulação e criaram uma poça eterna. Na Mafureira o problema só foi resolvido quando organizaram a drenagem. Mas na Nazo Nazo a água acumula-se sempre e destrói o pavimento. No 15, o problema arrasta-se há anos ”.

Segundo os operadores, a incerteza sobre quem tem responsabilidade na via se a Administração Nacional de Estradas (ANE) ou o município complica ainda mais a solução.

“Se esta estrada fosse da ANE, a polícia municipal não operava aqui. Mas opera e cobra receitas. Então não entendemos quem deve assumir as obras”, critica um motorista.

Os transportadores rejeitam que estejam em greve, afirmando que apenas querem respostas concretas sobre a resolução do problema.

“As nossas famílias dependem deste trabalho. Queremos trabalhar, mas não há condições. Não queremos discursos, queremos coisas práticas”, afirmam.

Vários motoristas relatam perdas financeiras significativas devido aos engarrafamentos causados pelo mau estado da via. Um deles conta: “Ontem levei duas a três horas num único engarrafamento. Fiz apenas quatro viagens num dia em que normalmente faria seis. É impossível cumprir a receita para entregar ao dono do carro ”.

Com os transportadores parados, muitos utentes foram obrigados a caminhar longas distâncias desde cedo. Ao longo da Avenida Eduardo Mondlane, foi possível ver grupos de pessoas deslocarem-se a pé rumo a Matola-Gare ou a outros bairros.

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